Susana Ribeiro na Nova Gente Susana Ribeiro na Nova Gente
Publicado em Abril 7, 2020

Viaje Comigo na revista Nova Gente

Covid-19/ Recortes de Imprensa

A revista Nova Gente quis falar comigo para contar a minha história de sair do Chile, no meio da pandemia da Covid-19. Mais uma vez, serviu esta entrevista para que a informação chegasse a mais leitores, de forma a poderem ver como agi numa situação destas. Fica aqui a entrevista, uma vez que na imagem não dá para ler: “Susana Ribeiro (está Monteiro por engano) é jornalista e desenvolve a sua atividade a contar histórias de viagens”

“A última saída de Portugal, em trabalho, não correu como estava previsto. Ainda que o destino, no Chile, estivesse longe da ameaça da Covid-19, viu-se obrigada a tomar uma decisão: voltar para casa. Um regresso que foi tudo menos difícil”

Quando saiu de Portugal?
Saí no dia 9 de março, para visitar o Chile e a Bolívia. E ia ficar até dia 28 de março… mas regressei dia 18.

O que motivou esta viagem?

Sou jornalista há 20 anos e o meu site www.viajecomigo.com e viajar são o meu emprego. Divulgo destinos e sou tour líder, acompanhando grupos em viagem. Neste caso, fui trabalhar com uma agência para dar a conhecer o Deserto do Atacama e, em 2021, levar grupos para o Chile e Bolívia.

Ao fim de quanto tempo se apercebeu do que estava a acontecer?

Foi tudo muito rápido. Na América do Sul, havia poucos casos. Uns cinco no Chile e nenhum no Deserto do Atacama. Em 10 dias, os números subiram e, dia 16, decidiram fechar as fronteiras. Eu tinha viagem para a Bolívia e já não fui… fiquei 24horas a pensar se regressar seria a melhor opção… porque o Atacama continua, até hoje, sem casos, ou seja, mais seguro que Portugal. Mas, estar em casa e ter a família e amigos por perto é o melhor neste cenário. Decidi voltar mas percebi que ia ficar sem voos (o que aconteceu depois de eu partir) e isto pode durar meses…

Quando decidiu voltar, quais foram os principais problemas com que se deparou?

No dia 16, cheguei de um tour a San Pedro de Atacama, quando soube que iam fechar as fronteiras. Tentei mudar o voo para Santiago, mas a companhia aérea não respondia. Depois de pensar na situação, decidi ir direta ao aeroporto e conseguir um voo para Santiago. Tinha um bilhete corrido que se transformou em 3, ou seja, cada um deles era um problema por resolver. Apesar de me dizerem que não havia lugares, ao insistir, lá me meteram num avião. Em Santiago, deram-me voo só para dia 20, mas no dia seguinte fui também ao aeroporto e consegui de novo que me arranjassem lugar (e tive de correr muito para apanhar este). Tudo muda ao minuto!

Em Madrid, estava tão próxima de Portugal e foi o que custou mais, por as fronteiras estarem fechadas. O pessoal do aeroporto com paciência zero, a responder torto, a dizerem a mulheres com bebés que tinham de ficar na fila… foi um cenário muito feio. Pessoas a chorarem porque há dias que iam para o aeroporto e os voos eram sempre cancelados e não havia alternativa.. Madrid foi o local mais desgastante, porque sentia que estava perto mas ainda longe de casa e só podia ir de carro alugado. Depois consegui alugar um carro, partilhado, para chegar ao Porto. Não me posso queixar… tive sorte.

O que é que se sente quando se vive esta situação?

A quem viaja acontecem sempre coisas raras e estranhas. Mas, isto obviamente que é algo único e nunca visto… a velocidade a que as coisas acontecem é impossível de acompanhar. Mas, além de bastante nervosismo, porque temos de tomar decisões rápidas, havia vezes que ria com a situação e outras que ria para não chorar. Mas, tenho situações hilariantes…. que conto melhor lá no meu site.

Qual foi, então, o trajeto até chegar a casa?
San Pedro de Atacama – aeroporto de Calama – voo para Santiago do Chile – voo para Madrid – alugar o carro para fazer Madri – Salamanca – Vilar Formoso – Porto

E agora? Quarentena obrigatória?

Estou de quarentena voluntária, porque acho que é melhor para todos que eu fique em casa nas próximas semanas. Podem pensar que sou portadora do vírus porque estive lá fora… mas, no Atacama, não existem casos. Os voos poderão ter sido perigosos, porque é muita gente juntinha, mas a minha cidade (Porto) é provavelmente o maior local de risco onde estive nas última semanas…. curioso não é?

Se há algo que aprendi é que não adianta nem fazer futurologia nem muitos planos, Podem dizer que tudo indicava que se ia espalhar… mas, perdoem-me, nem os especialistas sabem… imaginava-se que ia chegar a África primeiro do que à América do Sul.

Desejo que os doentes fiquem melhores, que consigamos controlar o vírus, que os jovens consigam voltar à escola e que as pessoas consigam recuperar os empregos e os negócios. Quero que recuperemos os sonhos e desejos e que possamos sair à rua com liberdade. A sensação de estar a viver um filme é permanente… Teremos de nos adaptar e aproveitarmos para criar um mundo melhor. Vamos conseguir, disso tenho a certeza.

Susana Ribeiro na Nova Gente

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Nova Gente - Capa

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