Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo No topo do monte: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo
Publicado em Outubro 7, 2020

De bicicleta pela Quebrada Chulacao, Atacama, Chile

Américas/ Chile [ Atacama ]

Este foi possivelmente um dos tours que mais puxaram por mim e puseram à prova a minha condição física, no Atacama, Chile. Fiz cerca de 20 quilómetros de bicicleta, a partir do centro de San Pedro de Atacama, até a Quebrada de Chulacao, um lugar de rochas desenhadas e muito cinematográfico. Como se não bastasse a pedalada intensa, em dia de muito calor, subi a pé a um monte… mas valeu a pena pela vista!

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Vista do monte: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Vista do monte: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Estava um dia tão quente que pensei duas vezes em fazer este passeio de bicicleta – ainda por cima porque já andava em várias caminhadas há uns dias e sentia-me um pouco cansada – mas ainda bem que não desisti, porque tornou-se num dos mais bonitos e exclusivos passeios que fiz no Atacama. Só andei eu e o guia, que foi comigo, e só já dentro da escarpadas paredes da Quebrada de Chulacao é que comecei a ver mais ciclistas – uns quatro ou cinco, não mais do que isso.

Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Era um simples passeio de 20 km de bicicleta que depressa de transformou numa aventura, em atravessar rios com a bicicleta na mão, e a subir e descer a montes (aí deixei a bicicleta cá em baixo) – marquei este passeio com a agência Fui Gostei Trips.

Saímos do centro de San Pedro de Atacama e eu já levava duas garrafas de água comigo. Mas, o calor era tanto – e havia muito pó no ar, das estradas de terra batida – que tive de comprar mais, na caserna dos indígenas, antes de entrar na reserva. Acho que bebi uns 3 litros de água neste passeio de 3 horas: a pedalar (nível fácil) e uma caminhada até ao topo de um monte, que fizemos lentamente por causa da altitude. Senti que tinha mesmo de o fazer lentamente, porque me custava respirar. Mas, lá em cima percebemos quanto vale a pena aquela subida.

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Muito antes disso, aconteceu a primeira aventura! A estrada estava em obras e tivemos de atravessar o rio. Alguns dias antes, quando eu cheguei a San Pedro de Atacama, tinha chovido durante quase dois dias sem parar. Uma chuva que apanhou os habitantes desprevenidos e as ruas enlameadas mostravam bem a quantidade de água que caiu dos céus, nesta região que é das mais áridas do planeta.
Com isto, quero-vos dizer que o rio estava com uma quantidade anormal de água para a época – disse-me o guia. E, na primeira passagem que fiz, ainda consegui passar por cima de rochas, na segunda já tive de tirar as sapatilhas e molhei as calças.

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Antes de chegarmos à área da caserna dos indígenas, pudemos ver através da rede – porque não estão abertas a visitas – as ruínas de Pukára de Quitor (Rota do Deserto), que ficam a cerca de 4 Km do centro de San Pedro de Atacama. Monumento Nacional desde 1982, Pukára de Quitor era uma espécie de forte nos montes, onde ainda resistem à erosão as caras esculpidas nas rochas. Foi em 1540 que os espanhóis derrubaram estas muralhas e atacaram o povo indígena que aqui vivia.

Pukára de Quitor - Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Pukára de Quitor – Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Pukára de Quitor - Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Pukára de Quitor – Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Antes, era possível fazer um trilho (sendero) dentro do sítio arqueológico. Mas, quando lá estive, por causa do perigo de derrocada de alguns locais – e também por causa das últimas chuvas – o sítio arqueológico estava encerrado. Disseram-me que, indo ao topo do monte, se tem uma vista fenomenal, apanhando os vulcões. Mas, eu também subi a um monte, com uma vista incrível sobre a Garganta del Diabo. Mas isso foi muito mais tarde…

Pukára de Quitor - Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Pukára de Quitor – Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Sem poder visitar Pukára de Quitor, espreitámos pela rede e continuámos a pedalar. Atravessámos de novo o rio (tira sapatilha e meias, põe sapatilha e meias… e molhas as calças, seca as calças com o calor, etc.) e continuámos mais uns minutos até encontrarmos uma caserna e posto de informação (onde tem informações sobre o que visitar, pode comprar água, etc.). A Comunidade Indígena Atacameña de Catarpe é a responsável pelo funcionamento do local e cobra bilhete de entrada, a partir daqui.

Pukára de Quitor - Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Pukára de Quitor – Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

De bicicleta na Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta na Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

O Rio Putama (Rio San Pedro) faz-nos companhia durante parte do trajeto. Atravesso de novo um riacho (tira sapatilha e meias, etc… vocês já sabem!) e começo a entrar nas escarpadas rochas da Quebrada de Chulacao (Garganta del Diabo).

Catarpe é considerado um fértil vale no meio de uma profunda “quebrada” a cerca de 10 Km do centro de San Pedro de Atacama. Imagina-se que seja habitado desde há mais de mil anos e está inserido no que foi o centro da cultura Atacamenha O Lickanantay, de importância histórica, uma vez que os Incas, em 1450, conquistaram este território para estenderem o seu domínio. E aqui se instalaram dando a este local o nome de Tambo de Catarpe. Hoje, é uma área arqueológica tão importante que é considerada uma das capitais arqueológicas do Chile.

De bicicleta em Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta em Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

A Quebrada de Chulacao está situada a 2.5 Km desde a caserna de acesso ao parque. Depois de passar o rio, vire à direita para entrar num vale profundo feito pela erosão.

A Quebrada de Chulacao fica antes de Tambo de Catarpe, pois quem quer pedalar mais pode descobrir muito mais esta área, com um túnel (de 1930-1950) que ligava San Pedro de Atacama a Calama (local do aeroporto). Deixou de ser usado por volta de 1950, devido às constantes chuvas e subidas do rio San Pedro. Para este túnel, tendo chegado ao ponto em que tem a Quebrada de Chulacao à direita, para o túnel deve ir para a esquerda (a cerca de 3km da caserna de entrada).

Atravessar o rio. De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Atravessar o rio. De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

LOCAIS QUE PODERÁ VISITAR NESTE CAMINHO /PERCURSO DA QUEBRADA DE CHULACAO

Tambo de Catarpe
Local arqueológico construído em 1450, que fica a cerca de 3.5 Km a norte da caserna de entrada. Ruínas do que terá sido uma fortaleza Inca, numa localização estratégica dominando parte do curso superior do Rio San Pedro e é referência da “Qhapaq Ñan” o Camino del Inca, que é Património da Humanidade.

A Capela San Isidro
Situada a 5.7 Km a norte da Caserna de entrada, foi construída em 1913 por Don Lucas Cenzano, por devoção a San Isidro

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

De bicicleta: Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Entrada para Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

A estrada é sempre reta e, por isso, é muito fácil de fazer e a paisagem é muito bonita, com os tons castanhos e avermelhados das rochas, cortados pelo verde da vegetação que cresce junto às margens do rio San Pedro.

Mais uma vez, passamos o rio para depois virarmos à direita para a Quebrada de Chulacao. Cada vez mais as paredes, gastas pela erosão, se vão afunilando parecendo que, por vezes, o caminho que estamos a tomar não vai ter saída. É mesmo um passeio muito bonito e incrível!

De bicicleta na Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta na Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

Depois da pedalada a atravessar a Garganta del Diabo, na Quebrada de Chulacao, tem um sinal que diz “Fim de Rota”. Deixámos as bicicletas mais à frente e começámos uma caminhada, lenta por causa da altitude, até ao topo do monte.
Cerca de 20 a 30 minutos de caminhada, no máximo, e estamos perante um cenário deslumbrante. O ondular dos montes que nos surgem em frente e, para trás, as planícies do deserto de Atacama, os vulcões cobertos com alguma neve… e do outro lado com a Garganta do Diabo as rochas avermelhadas. É incrível!

Depois de um momento para contemplar esta linda vista… é hora de voltar. Ao final do dia, já não estava tanto calor e foi ainda mais fácil fazer o percurso inverso, mesmo atravessando o rio as mesmas três vezes. Soube sempre bem para refrescar os pés! Vale muito a pena fazer este passeio!

De bicicleta na Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta na Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

INFORMAÇÕES UTÉIS

– Se soubesse que ia atravessar um rio teria levado calções (mas como estava muito calor teria de colocar muito protetor solar, foi por isso que levei calças…)
– Levar pelo menos 1,5L de água, por pessoa, e dinheiro para comprar mais, pelo caminho, principalmente se estiver muito calor.
– Leve boné, para colocar por baixo do capacete.
– Leve o protetor solar e vá colocando… queima bastante.
– Óculos de sol
– Quando faz frio leve um agasalho
– A entrada na Quebrada de Chulacao é paga aos indígenas e não está incluída no preço do tour, mas a agência avisa antecipadamente quanto é o custo

Tours que fiz no Atacama:
Vale da Lua e Vale da Morte
Tour nas Piedras Rojas e Lagunas Antiplânicas
De bicicleta pela Quebrada Chulacao
O frio e o quente do Geyser El Tatio
Flutuar na Lagoa Cejar
As cores incríveis do Vale do Arco-Íris, no Atacama
Porque devem ir às Lagunas Escondidas de Baltinache

Fim de rota: de bicicleta na Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

Fim de rota: de bicicleta na Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

De bicicleta na Quebrada de Chulacao - Atacama - Chile © Viaje Comigo

De bicicleta na Quebrada de Chulacao – Atacama – Chile © Viaje Comigo

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