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Publicado em Maio 5, 2020

Workshop online de Escrita e Jornalismo de Viagens

Jornalismo de Viagens/ Notícias/ Workshops

Depois de ter lançado o Workshop Online de Escrita para Blogues, em plena pandemia e confinamento, com o objetivo de passar o que tenho aprendido em sete anos de Viaje Comigo, decidi que o segundo workshop seria mais o espelho do que faço agora: Workshop de Escrita e Jornalismo de Viagens. Depois de ter pensado num conteúdo programático, ajustado para o fazer online, já está aberto a inscrições!

Este workshop será totalmente realizado online, podendo o participante ter apoio individual e personalizado ao longo de todas as horas da atividade. O objectivo é chegar ao final e conseguir, de forma simples e descomplicada, elaborar um texto que mostre o que viveu nas suas viagens. E também descrever e passar, ao leitor, todos as emoções e sentidos que experienciou enquanto estava a viajar. Inscrições e informações: workshops@viajecomigo.com

Máquina de escrever - Foto: Free-Photos © Pixabay

Máquina de escrever – Foto: Free-Photos © Pixabay

O Jornalismo capta sentimentos. Trabalha-os e passa-os para os meios de comunicação, para chegarem a mais leitores a um público mais vasto. Se informar é o seu objectivo primordial, o Jornalismo de Viagens veste-se de um caráter pragmático mas ao mesmo tempo… acho que posso chamá-lo de lírico. Se ao Jornalista se exige objetividade, ao passar aquilo que vê e ouve, é natural que a esses apurados sentidos se juntem também as emoções, na sua descrição. O Jornalismo de Viagens pretende transportar-nos para o local onde estivemos e mostra como se vive do outro lado mundo, ou do outro lado do país… ou do outro lado da cidade.

Escrever sobre viagens é sobretudo escrever sobre as memórias dos locais onde estivemos e do convívio que tivemos com os habitantes locais. Não precisámos de atravessar fronteiras, andar de avião, e fazer milhares de quilómetros. Escrever sobre viagens pode ser também feito com as viagens pelo seu país, seja ele Portugal, Brasil, ou outro.

Tem dificuldade em começar o texto? Não se consegue decidir por qual pormenor ou momento pelo qual deve começar o seu texto de viagens?

Primeiro o Jornalismo tem regras básicas de escrita. Se não têm o curso de Jornalismo ou Comunicação Social, neste workshop serão abordadas algumas técnicas que servirão de base para a vossa escrita. Obviamente, não serão exaustivas, até porque o jornalismo tradicional, em papel, tem diferentes regras do jornalismo online (até porque este último se prende mais com regras de SEO, etc). Também serão referidos os vários
tipos de textos jornalísticos: notícia, editorial, crónica, artigo de opinião, reportagem, entrevista, notícia…

PARA QUEM É ESTE WORKSHOP DE ESCRITA E JORNALISMO DE VIAGENS?

Este Workshop Online de Escrita e Jornalismo de Viagens, orientado pela jornalista Susana Ribeiro, é para todos aqueles que querem escrever sobre as suas viagens.

Gostas de viajar e gostarias de guardar as memórias das viagens, por escrito? Mas, não sabes como começar a escrever e quais são os momentos que queres contar aos leitores? Como preparar uma viagem, para a recolha de material e posteriormente escrever?

ABORDAGENS DO WORKSHOP DE ESCRITA E JORNALISMO DE VIAGENS

O workshop está dividido em 6 módulos, interligados entre si, e com forte componente prática. Não sendo esta atividade em grupo, o participante terá acompanhamento individual e personalizado, sempre online.

1º) A preparação da viagem: como se faz a recolha de material para escrever? E como se processa toda a informação que se reuniu?

2º) Técnicas de Escrita (desbloqueio da Escrita), escrita de viagens e Jornalismo de Viagens: a arte de ir ao pormenor. Apostar nas descrições pormenorizadas.

3º) Exercício prático com a utilização de memórias da última viagem (dentro ou fora do país), de curta duração. Revisão e alterações do texto.

4º) Exercício prático no dia-a-dia. Uma viagem no nosso quotidiano. Como do pouco se faz muito. Revisão e alterações do texto.

5º) Exercício prático com a descrição de uma viagem longa, de uma semana ou mais. Como coordenar todas as experiências e como criar um guia prático para os leitores.

6º) Exercício prático e publicação de uma crónica ou reportagem de viagem. Como um texto deve ter introdução, desenvolvimento e nunca descurar a conclusão.

Vista do 12 Apostles Hotel & Spa - África do Sul © Viaje Comigo

Vista do 12 Apostles Hotel & Spa – África do Sul © Viaje Comigo

INFORMAÇÕES UTÉIS DO WORKSHOP DE JORNALISMO DE VIAGENS

– Carga horária: 12 horas (acompanhamento individual e personalizado, online): 1 hora para análise dos textos efectuados e uma hora para falar com o aluno e correções.
– Preço: €180 (preço de lançamento)
– Datas: não tem. Poderá ser iniciado quando desejar e terminar quando desejar, mediante a sua disponibilidade.
– Horário das aulas: a combinar, mediante a disponibilidade do participante.

Inscrições e mais informações: workshops@viajecomigo.com

Responsável pelo workshop?
Sobre a jornalista Susana Ribeiro 

Jornalista há mais de 20 anos, Susana Ribeiro já passou pelas redações de O Comércio do Porto, Jornal de Notícias, Evasões e Time Out Porto. Colaborou, durante vários anos, com as revistas Notícias Magazine e Tentações, da Sábado, tendo ainda participado na elaboração de edições da Volta do Mundo, do guia American Express da cidade do Porto e ajudou a lançar o projeto do Sapo Viagens. Passou também por rádios e colaborou em programas de televisão, como o programa What’s Up – Olhar a Moda – fazendo reportagem e voz off.

Atualmente, dedica-se a tempo inteiro ao seu próprio site de viagens, Viaje Comigo, que lançou em 2013 e é tour líder na agência de viagens Leva-me, onde lidera grupos para diversos destinos. Para o seu site e para diversos outros sites: faz produção de conteúdos, gere redes sociais (em diversas plataformas), fotografa e faz edição de vídeo.

Wadi Rum - Jordânia © Viaje Comigo

Susana Ribeiro em Wadi Rum – Jordânia © Viaje Comigo

INSPIRAÇÃO DE ESCRITORES DE VIAGENS

Li há pouco tempo o livro “Na Índia”, com textos do jornalista e escritor francês Albert Londres, numa altura de muitas mudanças naquele país. Aprecio sobretudo a ironia e a forma cómica como descreve certos lugares e situações:

“Quinhentos e quarenta milhões de indianos apanharam o comboio no ano de 1921. Atendendo a tal número, imaginem as estações. Circular constitui um dos prazeres preferidos da raça. Não existe cena mais feliz do que a que reúne cem indígenas amassando-se há trinta e seis horas numa viatura de vinte lugares. Enquanto mascam bétel e trituram os dedos dos pés, inalam a volúpia do movimento mecânico. Nos países moderados, chegamos sensatamente à estação no dia da partida, talvez uma hora antes. Mas isso é porque não somos verdadeiros conhecedores dos prazeres da via férrea. Muito antes da data em que participarão no grande mistério da tracção, os indianos invadem com os seus guarda-chuvas, seguidos da esposa, transportando o cachimbo do marido e os potes em cobre, e das crianças nuas, o átrio da South Indian Railway (…). Um odor a jardim zoológico envolve a área. Felizes aí dormem enquanto esperam por um comboio que apanharão,… provavelmente.
Em suma! Após atravessar a gare (e estrangeiro que atravesse uma gare na Índia sem esmagar um homem, duas mulheres e quatro crianças é um brilhante equilibrista), (…).”
Albert Londres, in “India”

“A Ásia lava-se de manhã com impetuosidade animada e ensaboada. O comboio, cedo, faz-nos passar por pessoas descobertas a lavar roupa como bandidos a treinar – paquistaneses a carregar a roupa encharcada com paus, indianos a tentar partir pedras (esta é a definição de hindu de Mark Twain) batendo-lhes com dhotis molhados, cingaleses a fazer caretas para torcer os seus lungis. Na Alta Birmânia, as mulheres agacham-se em grupos conspirativos em correntes borbulhantes, batendo a roupa estendida com pás largas de madeira, crianças bamboleiam-se com água pelos joelhos em piscinas na rocha, e raparigas de seios pequenos, castamente coberta por sarongues até aos sovacos, despejam baldes de água por cima da cabeça. Quando saímos de Madalay, o tempo estava carregado e nebuloso, a começar a cacimbar, e o velho que ia ao pé de mim com uma trouxa impecável de pano por cima dos joelhos observara uma daquelas raparigas a tomar banho”.
Paul Theroux, in “O Grande Bazar Ferroviário”

“Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam. Até os mais próximos, os mais amigos, me cravaram na hora própria um espinho envenenado no coração. A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa. É claro que nunca um panorama me interessou como gargarejo. É mesmo um favor que peço ao destino: que me poupe à degradação das habituais paneladas de prosa, a descrever de cor caminhos e florestas. As dobras, e as cores do chão onde firmo os pés, foram sempre no meu espírito coisas sagradas e íntimas como o amor. Falar duma encosta coberta de neve sem ter a alma branca também, retratar uma folha sem tremer como ela, olhar um abismo sem fundura nos olhos, é para mim o mesmo que gostar sem língua, ou cantar sem voz. Vivo a natureza integrado nela. De tal modo, que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro espectáculo me dá semelhante plenitude e cria no meu espírito um sentido tão acabado do perfeito e do eterno. Bem sei que há gente que encontra o mesmo universo no jogo dum músculo ou na linha dum perfil. Lá está o exemplo de Miguel Angelo a demonstrá-lo. Mas eu, não. Eu declaro aqui a estas fundas e agrestes rugas de Portugal que nunca vi nada mais puro, mais gracioso, mais belo, do que um tufo de relva que fui encontrar um dia no alto das penedias da Calcedónia, no Gerez. Roma, Paris, Florença, Beethoven, Cervantes, Shakespeare… Palavra, que não troco por tudo isso o rasgão mais humilde da tua estamenha, Mãe!” Miguel Torga, in “Diário (1942)”

“Eu gosto da paisagem. Mas amo-a duma maneira casta, comovida, sem poder macular a sua intimidade em descrições a vintém por palavra. Chego a uma terra e não resisto: tenho de me meter pelos campos fora, pelas serras, pelos montes, saber das culturas, beber o vinho e provar o pão. E quando anoitece volto, como agora, cheio do enigma que fez cada região do seu feitio, tal e qual como pôs nas costas do dromedário aquela incrível marreca, e no pescoço do leão aquela fantástica juba”. Miguel Torga, in “Diário (1942)”

Susana Ribeiro nas dunas de Erg Chebbi, Merzouga - Deserto Saara, Marrocos © Viaje Comigo

Susana Ribeiro nas dunas de Erg Chebbi, Merzouga – Deserto Saara, Marrocos © Viaje Comigo

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