Bares perto de Kao San Road Banguecoque - Tailândia © Viaje Comigo
Publicado em Janeiro 5, 2017

Nunca se está sozinha em Banguecoque

Ásia/ Tailândia [ Banguecoque ]

A maior parte das vezes que viajo, vou com grupos de jornalistas e bloggers de viagens. Viajo mais com eles do que com a família, ou amigos, pois esse é o meu trabalho, hoje em dia, como jornalista e escritora de viagens. Em algumas situações, antes ou depois de estar em grupo, fico sozinha nos destinos a conhecer um pouco mais. Quando vou a trabalho é para conhecer locais específicos e depois fico para descobrir outros locais, mais ou menos turísticos.

Mas, confesso, não gosto de viajar sozinha. Essa sensação permanente de estarmos sozinhos só é boa no ponto em que podemos escolher tudo sem termos de adaptar o nosso tempo aos gostos de outros. Mas, por outro lado, não ter com quem dividir a experiência é, para mim, algo que não faz sentido. Por isso, promovi também viagens com grupos, com pessoas que nunca têm companhia para as viagens… porque as compreendo tão bem.

Confesso: gosto de viajar com alguém, mesmo que seja nesses grupos de trabalho. Conheço gente nova, dentro da minha área, e isso é sempre bom. Em 2015, depois de ter feito uma viagem com jornalistas, de vários países do mundo inteiro, à região de Trat, na Tailândia, decidi ficar mais uns dias em Banguecoque para ficar a conhecer melhor a cidade.

Achei que muita gente o ia fazer. É normal os outros viajantes aproveitarem a viagem (ou seja, aproveitarem o voo, que é caro!) e ficarem também mais tempo no destino. Mas, curiosamente, desta vez ninguém ficou em Banguecoque! Foram para as ilhas tailandesas, para outros países asiáticos vizinhos, regressaram a casa… enfim. Foram-se! E eu fiquei sozinha em Banguecoque! Na capital da Tailândia que tem mais de oito milhões de habitantes… e que é arrebatadora em vários sentidos!

Esta não é a história de quem não volta a viajar sozinha… esta é a história de quem aprendeu a viajar sozinha. E não desgostou de todo!

Enquadramento da história

O grupo de trabalho na Tailândia tinha ficado uma noite instalado num hotel de 5 estrelas em Banguecoque. Como ia ficar mais uns dias na cidade, pedi late check out e decidi aproveitar a piscina deste hotel fantástico onde estava.

Como o hotel estava colado a um centro comercial, aproveitei para dar uma volta, mas aquele ambiente não era o que eu procurava, por isso, não quis saber do late check out, da piscina maravilhosa e do quarto excelente, e… apressei-me a sair. Já tinha, aliás, reservado um quarto num hostel – com sugestão de amigos que já lá tinham estado – e ainda bem que o fiz. Era nesse sítio que me iria sentir bem…

Dia 23 de junho de 2015, num telefonema para Portugal…

– Espera…. estás sozinha em Banguecoque?!?

– Sim. O grupo de jornalistas foi embora e eu fiquei. Mas, estava farta de estar no hotel 5 estrelas e mudei para um hostel junto de Khao San Road.

– Como é que alguém fica farta de um 5 estrelas?

– Fácil! Estás num centro de negócios e ninguém fala com ninguém e ninguém quer saber de ti! Tentei ter conversas, a pedir informações e não consegui. Fui aqui ao centro comercial e perguntava o preços de coisas e só me respondiam torto! Pessoas de cara fechada, desconfiadas e mal dispostas! Durante os últimos dias consegui falar com toda a gente, nas aldeias de Trat, onde percebi porque chama à Tailândia “O País dos Sorrisos”, etc. Aqui não consegui… estava a sentir-me uma extraterrestre!

– Mmmmm… Até me custa a acreditar que te sintas uma extraterrestre… logo tu, que divides comida com estranhos em aeroportos! E falas com qualquer pessoa… Mas… agora estás bem? Não tens medo?

– Não! Nunca tive medo! Apenas senti-me sozinha no hotel, por isso é que estou a falar contigo… Mas, agora estou aqui perto de Khao San Road, que é o centro mais animado de Banguecoque, e toda a gente fala com toda a gente.
Quando aqui cheguei, vinda do hotel, de chapéu de palha na mão e mochila às costas… mal saí do tuk tuk, começaram a falar comigo. “Onde compraste o chapéu?”, “Ei, espetacular o chapéu”. E foi aí que fiquei de bem outra vez com Banguecoque.
Explicando melhor: aqui toda a gente é como eu. Estamos sozinhos, numa cidade gigante, e queremos companhia por algumas horas. Dizemos de onde viemos, para onde vamos… e depois “adeus, até qualquer dia!”.

– Então essas pessoas, que conheceste hoje, amanhã já não estão aí?

– Não… É como te digo, a maior parte está de passagem. Hoje conheci umas pessoas num tour para Ayutthaya e, ontem, conheci um grupo quando fui visitar o mercado flutuante… Mas, o mais incrível foi ter encontrado uma amiga espanhola (também jornalista de viagens) no meio de Banguecoque! Ainda nem acredito!

– A sério?!?

– Sério! Fomos comemorar o nosso reencontro com uma massagem tailandesa em Khao San Road e umas cervejas. Ahaha! E conheci um brasileiro com saudades de falar a língua dele.

– Porquê?

– Não imaginas. Ficou tão contente por me ouvir falar português! Disse-me que está há 3 meses na Ásia e estava com saudades de falar a língua dele… que só encontra gente que fala inglês. Ri-me muito!

– Então, agora não te sentes sozinha?

– Nada! Aliás, já nem me lembro de me ter sentido sozinha naquele hotel de 5 estrelas. Mas aprendi umas lições: nunca ficar longe dos outros viajantes e nunca ir para centros de negócios.

(risos do outro lado do telefone)

– E que aprendeste mais?

– Que um simples chapéu de palha pode ajudar a fazer amizades… E que devia viajar mais vezes sozinha. Pelo menos alguns dias… A perspetiva de quase tudo muda. E, de facto, ficamos com saudades de falar a nossa língua. Foi por isso que te liguei….

– Eu sei… quando voltas?

– Dentro de uns dias. É muito bom viajar, mas adoro regressar a casa. E estou quase a voltar! É melhor deixar-te dormir e vou dar uma voltinha por aqui. Até amanhã!

O chapéu que trouxe de Trat © Viaje Comigo

O chapéu que trouxe de Trat © Viaje Comigo

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