Passeio de barco no Tamisa em Londres: Hop-On Hop-Off River Cruise da The Original Tour e City Cruises
Há uma forma de conhecer Londres que permite juntar transporte, turismo, história e fotografia numa só experiência: navegar pelo rio Tamisa. Se estiver sol aproveita a parte exterior; se estiver a chover pode navegar na parte interior do barco. Fiz o passeio junto dos pontos turísticos e fui até Greenwich desta forma e é das melhores formas de conhecer a história e arquitetura do principal rio de Londres,.
Para quem compra um bilhete da The Original Tour, o passeio de barco é uma das experiências incluídas. E há aqui uma informação importante para não criar confusão: o Thames River Cruise incluído nos bilhetes da The Original Tour é operado pela City Cruises.

Não estamos, portanto, perante um simples cruzeiro turístico em que entramos no barco, fazemos uma volta e regressamos ao mesmo local. O conceito é de Hop-On Hop-Off (como nos autocarros): durante 24 horas, podemos embarcar e desembarcar nos cais abrangidos pelo serviço, visitar uma determinada zona de Londres e voltar ao rio para continuar o percurso.
É precisamente esta possibilidade que torna o passeio de barco tão interessante para quem está a conhecer Londres.
O que eu fiz: embarquei em Westminster Pier (visitei esta zona antes de embarcar); naveguei sempre até Greenwich; passeei por Greenwich; tornei ao barco e sair em Tower Pier para visitar aquela zona. Imperdível!


O que é o Hop-On Hop-Off River Cruise?
A The Original Tour é uma das empresas históricas de sightseeing de Londres e os seus bilhetes Hop-On Hop-Off incluem o Thames River Cruise, operado pela City Cruises.
É importante não confundir as rotas dos autocarros com o percurso do barco. A The Original Tour tem diferentes rotas de sightseeing em autocarro, enquanto o River Cruise funciona de forma independente ao longo do Tamisa.
No serviço fluvial associado à The Original Tour existem quatro cais turísticos principais:
- Westminster Pier
- London Eye Pier
- Tower Pier
- Greenwich Pier
Estes quatro cais permitem construir um passeio bastante completo pelo centro e leste de Londres. E quando se está cansado do trânsito ou de caminhar tanto pelas ruas de Londres, esta hipótese é a melhor para sentar e simplesmente desfrutar da viagem.
A rota fluvial completa demora aproximadamente 45 minutos, quando feita sem sair do barco, e a frequência indicada pela The Original Tour é de cerca de 40 minutos. Os horários podem variar, pelo que devem ser sempre confirmados para o dia da visita.
A grande vantagem é que não somos obrigados a fazer os 45 minutos seguidos. Podemos sair. Visitar. Passear. Almoçar. Fotografar. E voltar ao barco.
E é isto que torna o conceito Hop-On Hop-Off tão interessante!

Porque vale a pena fazer Londres de barco?
A primeira razão é simples: o barco permite conhecer Londres de uma perspectiva que não temos a partir da rua.
O Tamisa atravessa a cidade e, ao longo do percurso, vamos encontrando alguns dos seus monumentos mais famosos.
Enquanto um autocarro turístico está condicionado pelo trânsito, o barco segue pelo rio. Isto não significa que seja sempre mais rápido do que o autocarro ou metro ou que não possa sofrer atrasos próprios, mas significa que não está preso nem dependente das filas de trânsito rodoviário.
E há uma diferença ainda mais importante: durante a deslocação estamos a fazer turismo. Não estamos simplesmente a ir de um ponto para outro. Estamos a ver Londres e o rio funciona quase como uma estrada panorâmica.
A paisagem muda constantemente e permite compreender a cidade de uma forma que dificilmente conseguimos quando viajamos na rua ou debaixo da terra, com o metro.


Westminster Pier: começar junto ao Big Ben
Westminster Pier é um dos melhores pontos para começar o percurso. Estamos junto ao coração político e histórico de Londres.
A poucos metros encontramos o Palácio de Westminster, o Big Ben e a Westminster Abbey. A zona permite ainda chegar facilmente a Whitehall, Horse Guards Parade, Downing Street e, caminhando um pouco mais, Trafalgar Square.
Quando embarcamos, a perspectiva começa imediatamente a mudar. O Big Ben, que normalmente fotografamos de frente ou a partir da Parliament Square, passa a fazer parte da paisagem vista do Tamisa.
É uma das primeiras oportunidades para perceber a principal característica deste passeio: Londres fica diferente quando é observada a partir da água.


A Cleópatra’s Needle e as margens do Tamisa
Ao navegar pela zona central, vale a pena olhar atentamente para as margens.
Um dos elementos que podemos observar é a Cleópatra’s Needle, o conhecido obelisco egípcio instalado junto ao Victoria Embankment.
Não é necessário conhecer todos os edifícios que aparecem no percurso para aproveitar o passeio, mas saber antecipadamente o que estamos a ver transforma completamente a experiência.
O ideal é ir acompanhando o mapa do percurso e utilizar o comentário disponível no serviço (às vezes ao vivo com o pessoal do barco; ou gravado) para identificar os principais pontos.

As pontes de Londres
Uma das grandes vantagens de fazer o Tamisa de barco é passar por baixo das mais conhecidas pontes. Londres tem várias pontes ao longo do rio e cada uma conta uma parte diferente da história da cidade.
Entre as mais conhecidas estão Waterloo Bridge, Blackfriars Bridge, Millennium Bridge, London Bridge e Tower Bridge.
E há uma curiosidade particularmente interessante sobre Waterloo Bridge:
Durante a Segunda Guerra Mundial, mulheres participaram na reconstrução da ponte, numa altura em que muitos homens estavam envolvidos no esforço de guerra. Daí nasceu a associação popular à expressão “Ladies’ Bridge”. No entanto, convém evitar afirmar que foi simplesmente “uma ponte construída por mulheres”, porque essa versão simplifica uma história mais complexa.
É precisamente este tipo de detalhe que torna a viagem mais interessante. Em vez de olhar apenas para uma ponte bonita, percebemos que cada uma tem uma história.





Shakespeare’s Globe visto do rio
Na margem sul aparece outro edifício que merece atenção: o Shakespeare’s Globe. O teatro está ligado à história de William Shakespeare e à Londres do período elisabetano.
O edifício que vemos actualmente não é o Globe original. É uma reconstrução inaugurada em 1997, próxima do local histórico do teatro original. O primeiro Globe foi construído em 1599 e acabou destruído por um incêndio em 1613.
Quando navegamos pelo Tamisa, conseguimos observar o Globe integrado numa das zonas culturais mais importantes da margem sul.
Nas proximidades encontramos também a Tate Modern e a área de Bankside.

London Bridge e Tower Bridge: não confunda
Esta é uma das confusões mais comuns entre quem visita Londres pela primeira vez: London Bridge e Tower Bridge são duas pontes diferentes.
London Bridge liga a City of London a Southwark e tem uma história muito antiga. A ponte que vemos actualmente é moderna. A actual estrutura foi inaugurada em 1973 e substituiu a ponte anterior, que foi desmontada e vendida, acabando por ser reconstruída no Arizona, nos Estados Unidos.
Tower Bridge é a ponte das duas grandes torres, uma das imagens mais reconhecidas de Londres. Ela abre a meio para passarem os barcos om mastros mais altos. Nós conseguimos ver a abrir e fechar durante o nosso passeio.
Se há uma altura em que vale a pena estar com o telemóvel preparado é quando o barco se aproxima de Tower Bridge. É que, vista da água, a ponte parece ainda mais imponente.
As duas torres elevam-se sobre o barco e conseguimos perceber melhor a dimensão da estrutura e a sua relação com o rio.
Quando fazemos o percurso pelo Tamisa, a diferença entre as duas torna-se muito mais evidente.

The Shard: o edifício pontiagudo
Outro dos grandes protagonistas do skyline londrino é The Shard. A sua forma estreita e pontiaguda tornou-o imediatamente reconhecível.
Quando visto do Tamisa, o edifício destaca-se no horizonte da zona de London Bridge.
É uma excelente oportunidade para fotografar a arquitetura contemporânea de Londres juntamente com as estruturas históricas da margem.
Esta mistura entre passado e presente é, aliás, uma das características mais interessantes da paisagem londrina.

Tower Pier: a paragem estratégica
Depois chegamos a Tower Pier, também conhecido como Tower Millennium Pier.
É uma das melhores paragens para quem quer visitar a zona histórica de Londres.
Ao sair do barco estamos perto da Tower of London e de Tower Bridge.
Podemos visitar a fortaleza, conhecer a história do local, observar as Crown Jewels, caminhar junto ao rio e atravessar Tower Bridge.
Depois, em vez de procurar outro meio de transporte, podemos simplesmente voltar ao cais e continuar a viagem. E é aqui que o Hop-On Hop-Off ganha todo o sentido.

Os cais e a Londres que normalmente não vemos
Depois dos grandes monumentos, vale a pena começar a olhar para aquilo que muitas pessoas ignoram ou não têm tempo de ver com maior atenção:
- Os cais.
- Os antigos espaços portuários.
- Os armazéns.
- As casas-barco.
- Os apartamentos junto à água.
- Os hotéis.
- As novas construções.
O Tamisa mostra uma Londres que vai muito além dos monumentos turísticos.
Durante séculos, o rio foi essencial para o comércio e para o desenvolvimento da cidade. Muitas zonas que hoje parecem modernas tiveram uma ligação muito forte à actividade portuária.
A transformação das margens do Tamisa criou novos bairros residenciais, zonas empresariais e espaços de lazer.
E o barco permite acompanhar esta transformação sem precisarmos de atravessar a cidade de um lado para o outro.


Rotherhithe e a história do Mayflower
À medida que avançamos para leste, passamos por zonas com uma história muito ligada ao rio.
Rotherhithe é um dos exemplos mais interessantes.
Aqui encontramos o Mayflower, um pub histórico associado à história do navio Mayflower e à viagem de 1620 para a América.
É importante fazer uma distinção: o elemento que podemos observar no telhado não deve ser descrito simplesmente como uma réplica completa do navio. Trata-se de um elemento decorativo em forma de Mayflower.
A ligação histórica da zona ao navio é, contudo, uma das curiosidades que tornam este troço do Tamisa interessante.

East End e Jack the Ripper
Mais para leste entramos no universo do East End. É uma área profundamente ligada à história social de Londres e também às histórias de Jack the Ripper.
Aqui convém fazer uma distinção geográfica: os crimes atribuídos a Jack the Ripper aconteceram sobretudo na zona de Whitechapel e arredores, e não ao longo de todo o percurso do Tamisa.
Mas esta parte da cidade ajuda a compreender a Londres popular e industrial que existia no final do século XIX.
É uma Londres muito diferente da zona monumental de Westminster.


Canary Wharf: a cidade moderna
E depois a paisagem muda novamente: Canary Wharf surge junto à curva do Tamisa como uma floresta de arranha-céus.
É uma das imagens mais impressionantes do percurso. A área tornou-se um dos grandes centros financeiros de Londres, mas a sua história está profundamente relacionada com as antigas docas.
A paisagem actual, com escritórios, apartamentos, hotéis, restaurantes e comércio, contrasta com o passado portuário da zona. E é um excelente exemplo da transformação urbana de Londres.



Casas milionárias e casas-barco
Entre as grandes zonas empresariais e os monumentos históricos existem também áreas residenciais.
Algumas margens do Tamisa são ocupadas por apartamentos de elevado valor, enquanto noutras zonas encontramos casas-barco. E esta mistura faz parte da identidade actual do rio.
O Tamisa é simultaneamente espaço de transporte, lazer, habitação, turismo e actividade económica. E essa diversidade é uma das razões pelas quais não vale a pena passar a viagem inteira concentrado apenas nos monumentos.
Olhe para as duas margens, porque há sempre alguma coisa a acontecer.


Greenwich: a grande razão para fazer o percurso
E chegamos finalmente a Greenwich. Greenwich Pier é o quarto cais do Hop-On Hop-Off River Cruise. E, para mim, esta é uma das melhores razões para fazer o passeio de barco.
Greenwich pode ser alcançada de metro, comboio, autocarro ou DLR, mas chegar pelo Tamisa acrescenta outra dimensão à visita.
A própria história de Greenwich está profundamente ligada ao rio, à navegação e à actividade marítima.
Quando chegamos pelo Tamisa, a localização do antigo centro naval torna-se imediatamente evidente.

O que visitar em Greenwich depois de sair do barco?
Ao desembarcar em Greenwich, estamos perto de alguns dos principais pontos turísticos da zona.
- O Cutty Sark está praticamente junto ao cais.
- O Old Royal Naval College domina a paisagem.
- O Greenwich Market fica a curta distância.
E, subindo a colina, chegamos ao Royal Observatory e ao famoso Meridiano de Greenwich.
É possível passar várias horas nesta zona, por isso Greenwich funciona muito bem como uma das principais paragens de um dia de Hop-On Hop-Off.
Podemos chegar de barco, fazer a visita a pé e depois decidir se queremos regressar pelo rio ou utilizar outro meio de transporte.
Mas, se tiver pouco tempo e quiser fazer apenas uma parte do percurso pelo Tamisa, eu escolheria Westminster até Greenwich e no regresso sair em Tower Pier.


INFORMAÇÕES
E se já tiver bilhete da The Original Tour?
Se comprou um bilhete Hop-On Hop-Off da The Original Tour que inclui o River Cruise, não precisa de comprar separadamente o River Pass da City Cruises para fazer este percurso incluído.
O cruzeiro está incluído no produto da The Original Tour e é operado pela City Cruises.
A City Cruises também vende o seu próprio 24h Hop-On Hop-Off River Pass, por isso é normal encontrar os dois nomes associados ao serviço.
O produto da The Original Tour combina os percursos de sightseeing em autocarro com o cruzeiro fluvial.
E se quiser comprar apenas o passeio de barco?
Nesse caso, pode optar directamente pelo River Pass da City Cruises. O 24h Hop-On Hop-Off River Pass da City Cruises permite utilizar os quatro cais turísticos:
- Westminster
- London Eye
- Tower
- Greenwich
É uma opção interessante para quem não pretende fazer os circuitos de autocarro e quer concentrar o dia no Tamisa. Mas compensa mais se comprar com a The Original Tour que já inclui o passeio de barco e depois faz também percursos nos autocarros – com explicação dos locais por onde está a passar.
Antes de comprar, vale a pena comparar os preços e perceber o que está incluído em cada bilhete.



Como aproveitar melhor o passeio?
A melhor estratégia é não tratar o barco como uma actividade isolada. Use-o para ligar visitas. Como por exemplo:
- Comece em Westminster.
- Visite o Big Ben, o Parlamento e Westminster Abbey.
- Depois caminhe até Westminster Pier e embarque.
- Desça na London Eye e explore o South Bank.
- Continue depois pelo rio até Tower Pier.
- Visite a Tower of London e Tower Bridge. (ou pode fazer este no regresso)
- Volte ao barco e siga para Greenwich.
- Em Greenwich, faça a visita à zona histórica e, se tiver tempo, suba ao Royal Observatory.
Assim, o barco deixa de ser simplesmente um passeio e passa a ser parte do roteiro.

O melhor lado para fotografar?
Não existe um lado que seja sempre o melhor durante todo o percurso. E essa é precisamente a razão pela qual convém circular ou escolher lugares que permitam observar ambas as margens.
Durante o percurso, prepare a máquina antes de chegar às pontes e aos principais monumentos.
Tenha especial atenção a:
- Big Ben e Westminster;
- Cleópatra’s Needle;
- as diferentes pontes;
- London Eye;
- Shakespeare’s Globe;
- Tate Modern;
- The Shard;
- London Bridge;
- Tower of London;
- Tower Bridge;
- Canary Wharf;
- as casas-barco;
- os prédios modernos;
- e Greenwich.
Vale a pena fazer o River Cruise?
Sim, sobretudo se já tiver comprado um bilhete da The Original Tour que inclui o passeio. Nesse caso, seria uma pena não aproveitar.
A principal vantagem é a combinação entre passeio panorâmico e liberdade para sair e voltar a entrar.
Não estamos simplesmente a navegar durante 45 minutos. Estamos a utilizar o rio para conhecer Londres.
E existe ainda uma vantagem que, para mim, pesa muito: não estamos sujeitos ao trânsito das ruas enquanto navegamos.
Em Londres, onde uma deslocação aparentemente curta pode demorar bastante devido ao trânsito, o Tamisa oferece uma alternativa diferente. E, ao mesmo tempo, estamos a ver a cidade, muito bem sentados e descansados.

O barco até Greenwich é uma experiência em si
Chegar a Greenwich pelo Tamisa é, provavelmente, a parte que mais recomendo. Podemos chegar rapidamente por outros meios de transporte, mas nenhum deles nos mostra a sequência de paisagens que encontramos no rio.
O Tamisa mostra-nos a cidade monumental, a cidade cultural, a cidade financeira, a cidade portuária e a cidade residencial.
Por isso, se estiver a organizar uma viagem a Londres e tiver um bilhete da The Original Tour com o River Cruise incluído, não deixe o barco para segundo plano.
Eu até faria logo no primeiro dia de viagem, porque temos logo uma visão muito boa do que depois queremos visitar com mais pormenor – se houver mais tempo! Consulte os horários, vá para o cais e faça pelo menos parte do percurso.


Informação prática
O Thames River Cruise incluído nos bilhetes da The Original Tour é operado pela City Cruises.
Os quatro cais do Hop-On Hop-Off River Cruise são Westminster Pier, London Eye Pier, Tower Pier e Greenwich Pier.
A viagem completa demora aproximadamente 45 minutos sem desembarques.
A frequência indicada pela The Original Tour é de cerca de 40 minutos, mas os horários podem variar.
Os bilhetes da The Original Tour podem incluir o River Cruise durante o período de validade do bilhete, dependendo do tipo de entrada adquirido.
Antes de viajar, confirme sempre horários, cais em funcionamento e condições do bilhete para a data escolhida, porque os serviços fluviais podem sofrer alterações.

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