Viajar é o segredo da longevidade? Susana Ribeiro fala sobre viajar sozinha na revista Saber Viver
Viajar pode ser muito mais do que conhecer lugares novos. Pode ser uma forma de sair da rotina, desafiar o cérebro, conhecer outras pessoas, testar os nossos limites e, sobretudo, continuar a descobrir o Mundo ao longo da vida.
É precisamente sobre esta relação entre viagens, bem-estar, longevidade e liberdade que fala Susana Ribeiro, fundadora do Viaje Comigo e autora do livro “Viajar Sozinha”, numa reportagem publicada na edição de agosto de 2026 da revista Saber Viver.
Com o título “Viajar: o segredo da longevidade”, o artigo, assinado pela jornalista Sandra Gato, parte de uma ideia particularmente interessante: e se o melhor “anti-idade” não estivesse num creme ou num tratamento, mas numa viagem?
A reportagem reúne informação sobre os benefícios de viajar e conta também com o testemunho de Susana Ribeiro, de 50 anos, jornalista durante 30 an os e que há mais de uma década se dedica profissionalmente às viagens.
A autora do ViajeComigo.com surge como uma das vozes que ajudam a explicar porque é que sair de casa, conhecer outras culturas e até viajar sozinha pode ter um impacto muito maior do que aquele que normalmente associamos a umas férias.

Viajar para sair da rotina
Uma das ideias centrais defendidas por Susana Ribeiro é que viajar nos obriga a sair do ambiente habitual. Quando estamos em casa, temos rotinas, horários, lugares conhecidos e uma série de comportamentos que fazemos quase automaticamente. Em viagem, tudo pode mudar.
É precisamente essa mudança que Susana destaca na revista: “O que acontece em viagem – principalmente quando se viaja sozinha e se anda a visitar vários locais – é que todos os dias nos pomos no mundo. A língua é diferente; a comida é diferente; o horário é diferente; os quartos e os colchões são diferentes todas as noites; comboios que se perdem; voos atrasados ou cancelados. Tudo isto (e mais!) pode acontecer em viagem.”
É uma descrição muito próxima daquilo que qualquer viajante reconhece: viajar não significa que tudo corra como planeado. Pelo contrário. Há atrasos, mudanças de planos, transportes que se perdem, dificuldades de comunicação e situações que obrigam a encontrar rapidamente uma solução.
Mas há também uma aprendizagem nessa adaptação.
“Aos poucos, começamos a ter mais jogo de cintura para lidar com imprevistos. Ficamos mais atentas e, ao mesmo tempo, queremos aproveitar cada segundo.”

Viajar sozinha é uma tendência que está a crescer
A reportagem da Saber Viver aborda também o crescimento das viagens a solo, um tema particularmente ligado ao trabalho de Susana Ribeiro.
Ao longo dos anos, Susana Ribeiro (que já viajou até hoje 75 países) tem acompanhado muitas mulheres que querem viajar, mas que nem sempre encontram alguém disponível para as acompanhar. Algumas começam por viajar com amigas, outras decidem simplesmente não continuar a adiar os destinos que querem conhecer.
Como explica na reportagem: “Pela minha experiência, há cada vez mais mulheres e viajarem sozinhas e muitas que viajam com amigas. Há quem não tenha ninguém com quem viajar. Os anos vão passando e os destinos de sonho vão ficando adiados… até que se toma a decisão de ir sozinha! Mas, na verdade, vão cruzar-se com muitas mulheres a fazerem o mesmo.”
A experiência enquanto líder de viagens também lhe permite observar diretamente esta mudança.
“Nos meus grupos – como líder de viagens -, a larga maioria são mulheres (uma média de 80%).”
Para Susana, não se trata apenas de uma moda passageira. É uma tendência que acompanha uma mudança na forma como as mulheres encaram a sua autonomia e a possibilidade de viajar sem depender da disponibilidade de outra pessoa.
“É uma tendência que está, de facto, a crescer. Uma tendência e um privilégio.”
E essa mudança também começa a refletir-se nos próprios destinos turísticos. Há cada vez mais propostas pensadas para quem viaja sozinho, desde tours a atividades em que é possível conhecer outras pessoas.
“Vejo nos meus grupos que há cada vez mais mulheres a viajarem sozinhas, independentemente da idade que têm. E cada vez haverá mais destinos que têm tours e atividades feitos especificamente a pensar em quem viaja sozinha.”

A liberdade de viajar é também um privilégio
Há, no entanto, uma dimensão que Susana Ribeiro faz questão de recordar e que é particularmente importante quando se fala de mulheres e viagens a solo: a liberdade para viajar não é uma realidade universal.
Em Portugal e em grande parte da Europa, uma mulher pode decidir viajar sozinha, comprar um bilhete, escolher um destino e partir. Mas isso não acontece da mesma forma em muitas outras partes do mundo.
Susana chama a atenção para essa realidade:
“Não podemos esquecer que esta liberdade que nós temos – em Portugal e na Europa – na maior parte do mundo não existe. Temos liberdade e temos um passaporte que nos permite viajar sem preocupações. Isso não acontece na maior parte do mundo para as mulheres. Uma enorme mais-valia a que muitas vezes não damos suficiente importância.”
É uma reflexão que ultrapassa a própria viagem. Viajar também pode ser uma forma de perceber os diferentes níveis de liberdade existentes no mundo e de reconhecer os privilégios que, por vezes, damos como garantidos.
Viajar também é desafiar o cérebro
A reportagem da Saber Viver relaciona ainda as viagens com o envelhecimento e a atividade cerebral. O artigo cita o neuropsicólogo norte-americano Paul Nussbaum, que defende que viajar pode desafiar o cérebro através da exposição a ambientes novos e diferentes, contribuindo para construir resiliência cerebral ao longo da vida.
É também referido um estudo da Universidade Edith Cowan, na Austrália, segundo o qual as interações sociais, os estímulos mentais e a atividade física associados às viagens podem contribuir para atrasar o declínio físico e cognitivo.
É neste contexto que a viagem deixa de ser vista apenas como descanso.
Explorar uma cidade desconhecida, tentar comunicar noutra língua, perceber como funciona um sistema de transportes, experimentar uma comida que nunca provámos ou simplesmente encontrar o caminho de volta ao hotel são pequenas situações que nos obrigam a estar presentes.
E Susana Ribeiro fala também sobre a importância de manter uma vida ativa: “Mantermo-nos ativas é sempre a melhor opção! E considero que fazer o que se gosta e ter uma vida equilibrada também é essencial.”
Para a autora do Viaje Comigo, viajar permite ainda afastar-se temporariamente dos ecrãs e da rotina: “O sair da rotina faz com que estejamos mais viradas para nós mesmas, além de que temos mais tempo de qualidade afastadas de ecrãs e maior contacto com a Natureza. É uma forma de fazer-nos reset – os resets são bons para vermos o que queremos e o que não queremos na vida. O desacelerar, numa viagem, cria-nos mais espaço para isso.”

Viajar num mundo cada vez mais complicado
A entrevista aborda ainda uma questão inevitável para quem viaja atualmente: como é que guerras, fenómenos climáticos extremos, turismo massificado e a quantidade de informação que recebemos diariamente podem influenciar a forma como viajamos?
Susana Ribeiro reconhece: “É um facto que nunca viajámos tanto como fazemos agora. Nunca tivemos tanta informação e nunca conhecemos tanto e, no entanto, parece que nada sabemos do resto do mundo.”
E acrescenta: “por vezes, a informação que nos chega (media e redes sociais) transforma a nossa realidade numa bolha: consumimos o que nos dão e o resto o algoritmo escolhe.”
Para Susana, é importante perceber que o mundo não se resume àquilo que aparece diariamente nos nossos ecrãs. Mesmo perante situações difíceis, há pessoas que continuam a tentar viver, trabalhar, viajar e ter momentos de descanso.
“É importante perceber que, independentemente do que se passa no mundo que conhecemos, existe um outro mundo que continua a funcionar de forma normal.”
E deixa uma última ideia particularmente importante para quem tem medo de viajar:
“Penso que devemos tomar precauções, mas não devemos limitar-nos. Os medos limitam-nos muito.”
Uma vida feita também de viagens
A revista apresenta-a como jornalista de formação, com 50 anos, e que criou o Viaje Comigo em 2013. O artigo menciona ainda o projeto MulheresEmViagem.pt, criado em 2021, os workshops online ligados à escrita e às viagens, o lançamento, em 2025, do seu primeiro livro em papel, Viajar Sozinha, e o trabalho como líder de viagens.
É uma trajetória que cruza precisamente os vários temas abordados na reportagem: viajar, escrever, conhecer o mundo, sair da zona de conforto e incentivar outras pessoas a não adiarem os seus próprios sonhos.
Razões pelas quais continuamos a fazer malas? Porque cada viagem nos obriga, de alguma maneira, a começar outra vez. A prestar atenção. A adaptar-nos. A conversar. A caminhar. A experimentar. A decidir. E, sobretudo, a continuar curiosos.
A reportagem “Viajar: o segredo da longevidade”, assinada por Sandra Gato, foi publicada na edição de agosto de 2026 da revista Saber Viver, onde Susana Ribeiro partilha a sua experiência enquanto viajante, jornalista, autora e líder de viagens, falando sobre os benefícios de viajar, as viagens a solo, a liberdade das mulheres para viajarem e a importância de continuarmos a sair da nossa zona de conforto.
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