Uma simples bateria portátil esquecida na mala errada pode significar chamadas urgentes pelos altifalantes, inspeções de segurança, abertura de bagagem e, em alguns casos, um avião a partir sem si. O muitos viajantes ainda desconhecem é que uma powerbank pode transformar-se num verdadeiro pesadelo e um problema aeroportuário.

Não porque seja proibida.  Na maioria dos casos, pode viajar consigo – apesar de, atualmente, a maior parte das companhias aéreas proibir o seu uso e o carregamento da mesma durante os voos. Além do problema do sobreaquecimento, outro problema surge quando é colocada no local errado…

Num mundo onde viajamos permanentemente ligados aos nossos dispositivos, a powerbank tornou-se quase tão indispensável quanto o passaporte. Seja para carregar o telemóvel durante uma escala, alimentar um computador portátil numa viagem de trabalho ou garantir bateria suficiente para fotografar uma aventura do outro lado do mundo, estas pequenas baterias portáteis acompanham milhões de passageiros todos os dias.

Todos os dias, em aeroportos do Mundo inteiro, são identificadas powerbanks em malas despachadas (de porão). O resultado pode variar entre um simples aviso e uma situação muito mais stressante: a mala é retirada do circuito de bagagem, o passageiro é chamado com urgência, a bagagem tem de ser aberta para inspeção e o tempo começa a correr – a bagagem só deve ser aberta na presença do seu proprietário.

Em alguns casos, a demora é suficiente para perder o voo. Não se ouve o chamar do nome – até porque muitas vezes é noutra língua/sotaque e não identificamos como nosso – e quando chegamos à porta de embarque, não nos deixam entrar no avião e perdemos o mesmo.

É um cenário real, mais frequente do que muitas pessoas imaginam e que está diretamente relacionado com as regras internacionais de transporte de baterias de lítio.

Se viaja regularmente ou está prestes a embarcar numa grande viagem, vale a pena compreender como funciona este processo e porque motivo uma simples bateria portátil pode complicar seriamente os seus planos.

Montanhas do Nepal - vista do aviao © Viaje Comigo
Montanhas do Nepal – vista do avião © Viaje Comigo

Porque é que as powerbanks preocupam as autoridades da aviação?

À primeira vista, uma powerbank parece um objeto perfeitamente banal.

Pequena, leve e aparentemente inofensiva, é apenas uma bateria recarregável concebida para fornecer energia a outros dispositivos eletrónicos.

No entanto, o seu interior contém células de iões de lítio. E é precisamente aqui que começa a preocupação.

As baterias de lítio revolucionaram a tecnologia moderna. São utilizadas em smartphones, computadores portáteis, câmaras fotográficas, drones, relógios inteligentes e até veículos elétricos.

Mas também apresentam riscos específicos. Em circunstâncias raras, uma bateria pode sofrer um fenómeno conhecido na indústria como thermal runaway ou fuga térmica.

Quando isso acontece, a temperatura aumenta rapidamente, podendo provocar libertação de gases, fumo ou, em situações extremas, incêndio – isto já aconteceu em alguns voos, tendo de usar extintores para apagar o fogo!

Embora estes incidentes sejam pouco frequentes, as consequências potenciais num ambiente fechado como um avião levaram as autoridades internacionais a criar regras muito rigorosas para o transporte deste tipo de equipamentos.

Foto: mohamed_hassan
Foto: mohamed_hassan

A regra que continua a surpreender passageiros

Existe uma regra simples que todos os viajantes deveriam conhecer: as powerbanks não devem ser transportadas na bagagem despachada (de porão)!

Devem viajar consigo na cabine. A razão é igualmente simples:

Se uma bateria apresentar um problema durante o voo, a tripulação consegue atuar rapidamente quando ela está na cabine.

No porão, a situação é muito mais complexa. Por esse motivo, as orientações internacionais seguidas pela maioria das companhias aéreas determinam que as baterias sobresselentes de lítio, incluindo powerbanks, devem permanecer na bagagem de cabine.

Apesar disso, milhares de passageiros continuam a colocá-las nas malas de porão. Muitas vezes por distração. Outras porque nem sequer se lembram de que a bateria está guardada num bolso lateral da mochila.

Mesmo assim, nos balcões de chck in do Mundo inteiro já questionam se tem eletrónica ou baterias na mala de porão, para que tenha a possibilidade de retirar ali mesmo, antes que seja um problema de segurança.

O que acontece quando uma powerbank é encontrada na mala de porão?

Muitos viajantes imaginam que a mala segue diretamente para o avião depois do check-in. Na realidade, existe um complexo sistema de rastreio e inspeção e, depois de entregar a bagagem, esta passa por vários controlos de segurança.

Os equipamentos de raio-X conseguem identificar baterias, dispositivos eletrónicos e objetos considerados potencialmente problemáticos.

Quando uma powerbank é detetada numa mala despachada, os operadores de segurança podem interromper imediatamente o processo.

Dependendo do aeroporto e dos procedimentos locais, podem acontecer várias situações:

  • chamada do passageiro através dos altifalantes;
  • contacto telefónico;
  • localização presencial do viajante;
  • inspeção remota por vídeo;
  • abertura física da mala;
  • remoção da bateria;
  • retirada temporária da bagagem do circuito operacional.

Tudo isto demora tempo e o embarque não espera!

Como uma simples powerbank pode fazer perder um voo

Imagine o seguinte cenário. Chega ao aeroporto três horas antes do voo.

Faz o check-in sem qualquer problema. Entrega a mala. Passa o controlo de segurança.

Compra uma garrafa de água. Senta-se tranquilamente à espera do embarque.

Entretanto, numa área operacional à qual os passageiros não têm acesso, um operador de segurança identifica uma bateria portátil dentro da sua mala de porão.

A bagagem é retirada do sistema. As equipas tentam localizá-lo. Talvez ouça o seu nome nos altifalantes.

Ou… talvez não.  Talvez esteja com auscultadores; talvez esteja numa loja; talvez esteja numa zona mais afastada da porta de embarque…

Quando finalmente é encontrado, já passou bastante tempo. Agora terá de regressar à área indicada pelas autoridades aeroportuárias.

A mala terá de ser identificada. A bateria terá de ser removida.

Dependendo do aeroporto, poderá ser necessária uma inspeção presencial ou remota (através de videochamada com a presença do dono da mala).

Quando tudo termina, a porta de embarque pode já estar fechada. O avião continua a partir à hora prevista e o passageiro fica em terra.

Viajar de avião © Viaje Comigo
Viajar de avião © Viaje Comigo

Porque alguns aeroportos utilizam inspeções por vídeo

Porque se tem tornado algo mais frequente, nos últimos anos, vários aeroportos internacionais começaram a implementar sistemas digitais para acelerar este tipo de situações.

Em vez de transportar o passageiro até à bagagem, algumas autoridades recorrem a videochamadas ou sistemas de verificação remota.

O viajante confirma a propriedade da mala e autoriza a abertura. Embora esta solução possa acelerar o processo, continua a existir um problema inevitável: o tempo.

Isto porque se a identificação acontecer perto da hora de embarque, cada minuto conta.

Porque alguns aeroportos gerem melhor estas situações

Nem todos os aeroportos funcionam da mesma forma. Em alguns locais, a bagagem é rastreada quase imediatamente após o check-in.

Quando surge um problema, o passageiro ainda se encontra relativamente perto dos balcões e a situação costuma resolver-se rapidamente.

Noutros aeroportos, especialmente nos grandes hubs internacionais, as malas percorrem quilómetros de tapetes rolantes e sistemas automatizados antes de serem carregadas para o avião.

Quando a irregularidade é detetada, recuperar a bagagem pode ser mais demorado, o que aumenta o risco de atrasos.

O caso dos aeroportos asiáticos

Quem viaja frequentemente pela Ásia já terá reparado que muitos aeroportos adotam controlos particularmente rigorosos relativamente a baterias de lítio.

Destinos populares entre viajantes portugueses, como Bali, Singapura, Banguecoque, Kuala Lumpur, Seul, Hong Kong ou Tóquio, aplicam frequentemente verificações muito detalhadas.

Isto não significa que sejam mais difíceis. Significa apenas que as regras são levadas extremamente a sério.

Depois de vários incidentes relacionados com baterias de lítio ocorridos ao longo dos últimos anos na aviação mundial, muitos países asiáticos reforçaram procedimentos de inspeção e sensibilização.

Para quem viaja na região, vale a pena verificar sempre as regras específicas da companhia aérea.

Powerbank
Powerbank

E, afinal, quantas powerbanks posso levar?

Esta é uma das perguntas mais pesquisadas online. A resposta depende de vários fatores:

  • capacidade da bateria (tem de estar escrito o número);
  • companhia aérea;
  • regulamentação nacional;
  • destino.

De forma geral, a maioria das transportadoras permite powerbanks para uso pessoal dentro dos limites habitualmente aceites pela indústria da aviação.

No entanto, baterias de maior capacidade podem exigir autorização prévia. É por isso que nunca deve assumir que as regras são exatamente iguais em todas as companhias.

O que significam os mAh e os Wh?

Outra dúvida frequente prende-se com as especificações técnicas. As powerbanks são normalmente comercializadas em miliampere-hora (mAh).

Contudo, a aviação utiliza frequentemente a unidade watt-hora (Wh). É esta medida que permite avaliar a energia total armazenada pela bateria.

Por isso, quando consulta as regras de uma companhia aérea, poderá encontrar referências a Wh em vez de mAh. É importante verificar a etiqueta do equipamento antes da viagem.

Powerbanks sem identificação podem ser um problema

Muitos viajantes compram baterias extremamente baratas em mercados, plataformas online ou lojas sem marca reconhecida.

O problema surge quando o equipamento não apresenta informações técnicas legíveis. Se a capacidade não puder ser confirmada, os agentes de segurança poderão impedir o transporte.

Na prática, isso significa que poderá ser obrigado a abandonar a bateria antes do embarque – ou mesmo se estiver apenas a fazer escala num país com restrições diferentes.

Preparado para viajar? © Viaje Comigo
Preparado para viajar? © Viaje Comigo

O perigo das baterias contrafeitas

As autoridades aeroportuárias não estão apenas preocupadas com a localização da bateria. Também observam a qualidade do equipamento.

Powerbanks contrafeitas ou produzidas sem certificação adequada representam um risco superior de falha.

Embora sejam frequentemente mais baratas, podem apresentar sistemas de proteção insuficientes contra sobreaquecimento ou curto-circuito. Quando falamos de segurança aérea, este é um detalhe que não deve ser ignorado.

Drones: o erro que muitos viajantes continuam a cometer

Os utilizadores de drones enfrentam frequentemente o mesmo problema. A atenção costuma estar concentrada no equipamento principal.

Mas as baterias sobresselentes acabam esquecidas numa mala despachada. Quando isso acontece, aplicam-se exatamente as mesmas regras.

As equipas de segurança podem interromper o processo de embarque da bagagem e exigir a remoção das baterias.

Aeroporto do Porto - Março 2026 © Viaje Comigo
Aeroporto do Porto – Março 2026 © Viaje Comigo

Porque este problema está a tornar-se mais frequente

Há uma razão simples: porque hoje viajamos com mais dispositivos eletrónicos do que nunca. Há dez anos, um passageiro transportava normalmente um telemóvel – e nem todos os aeroportos e/ou aviões têm as tomadas para carregar os aparelhos. E há companhias low cost que pedem dinheiro pelo carregamento de aparelhos a bordo do avião.

Hoje pode levar:

  • smartphone;
  • portátil;
  • tablet;
  • relógio inteligente;
  • auscultadores;
  • câmara fotográfica;
  • drone;
  • bateria portátil.

Quanto maior o número de dispositivos, maior a probabilidade de esquecer uma bateria numa mala despachada.

Como evitar perder um voo por causa de uma powerbank

A boa notícia é que o problema é quase sempre evitável. Antes de sair para o aeroporto, faça uma revisão específica da bagagem.

Não se limite a verificar roupa e documentos, mas verifique também todos os dispositivos eletrónicos.

  • Abra bolsos laterais.
  • Confirme mochilas.
  • Veja compartimentos escondidos.
  • Analise bolsas de equipamento fotográfico.

Muitas powerbanks são esquecidas precisamente nestes locais.

Mochila Totto na Grecia © Viaje Comigo
Grecia © Viaje Comigo

Checklist antes de entregar a mala no check-in

Deve ficar na cabine

  • powerbanks;
  • baterias sobresselentes;
  • baterias de drones;
  • carregadores portáteis;
  • dispositivos eletrónicos com baterias removíveis.

Deve verificar cuidadosamente

  • mochilas colocadas dentro da mala principal;
  • bolsos exteriores;
  • compartimentos secretos;
  • bolsas para equipamentos fotográficos;
  • acessórios de drones.

O impacto financeiro (e o stress) de perder um voo

Quando um passageiro perde um voo devido a um problema deste tipo, os custos podem ser elevados e o stress é muito. Dependendo da tarifa, poderá ser necessário comprar um novo bilhete.

Além disso, podem existir:

  • noites de hotel perdidas;
  • ligações aéreas falhadas;
  • excursões não reembolsáveis;
  • transferes desperdiçados;
  • compromissos profissionais comprometidos.

Uma simples bateria esquecida pode transformar-se numa despesa de centenas ou até milhares de euros.

O conselho mais importante para qualquer viajante

Se tivesse de resumir tudo numa única recomendação, seria esta: antes de entregar a mala no check-in, confirme que todas as powerbanks e baterias sobresselentes estão consigo na bagagem de cabine.

Veja aqui os artigos perigosos – incluindo as powerbanks – e também os que são totalmente proibidos a bordo de um avião.

Viajar de Mochila © Viaje Comigo
Viajar de Mochila © Viaje Comigo