Comboio The Blue Jasmine: viagem histórica e gastronómica pela Tailândia
Descobrir a Tailândia de comboio é, por si só, um convite à desaceleração. Mas o The Blue Jasmine vai além da ideia romântica de viajar sobre carris. Trata-se de uma experiência cultural imersiva de nove dias que liga Banguecoque ao norte montanhoso de Chiang Mai, atravessando a antiga capital real de Ayutthaya, a espiritual e autêntica Uthai Thani, e a região histórica de Sukhothai e Si Satchanalai, antes de regressar novamente à vibrante Banguecoque.


Ainda que não seja um comboio de luxo, o The Blue Jasmine posiciona-se num nicho exigente: viajantes que valorizam património ferroviário e procuram profundidade cultural. Tecnicamente sólido, cuidadosamente restaurado e operacionalmente integrado na rede tailandesa, este comboio demonstra que a ferrovia histórica pode reinventar-se sem perder identidade



É importante esclarecer desde já um ponto essencial: a maior parte das experiências incluídas nesta viagem não terá localizações detalhadas nem referências específicas neste artigo. E há uma razão muito clara para isso. Passo a explicar:
Grande parte dos jantares, concertos privados, encontros culturais e visitas decorre em espaços reservados exclusivamente para os passageiros do comboio. São residências históricas que não funcionam como restaurantes abertos ao público, jardins privados junto ao rio, salas patrimoniais abertas apenas mediante reserva especial ou experiências criadas especificamente para este itinerário. Divulgar moradas ou contactos seria, além de impreciso, retirar parte da exclusividade e da natureza curada da experiência.


O que posso é partilhar o conceito: acesso raro, organização cuidada e uma Tailândia que não se encontra facilmente numa pesquisa online. E para gerir expectativas: o comboio serve para deslocações entre as cidades, algumas refeições são feitas a bordo do mesmo, mas apenas duas noites são aqui passadas a dormir – os quartos são diferentes, dependendo da categoria. As restantes noites são passadas em hotéis diferenciados e sempre com experiências gastronómicas e culturais incluídas.


Com capacidade máxima para 37 passageiros – podendo viajar com menos, dependendo da partida -, o The Blue Jasmine foi concebido para manter uma atmosfera intimista e charmosa. Não é um comboio luxuoso, nem massificado, nem um produto de turismo de grupo convencional. A proximidade é parte fundamental da experiência: proximidade entre viajantes, com os anfitriões locais e com o próprio território.

Mais do que uma viagem ferroviária, é uma narrativa em movimento. E eu fui vivê-la! Em fevereiro de 2026 passei nove dias a fazer este programa especial do The Blue Jasmine, que relato aqui abaixo, dia a dia. Apesar das minhas muitas viagens para a Tailândia, tudo o que vivi nestes dias foi totalmente diferente do que já tinha experienciado. O comboio pode não ser de luxo, mas o programa no seu todo é, porque nos garante atividades, experiências culturais e provas gastronómicas que são exclusivas para os passageiros/viajantes deste programa. E isso sim é um verdadeiro luxo, nos dias de hoje.


Dia 1 – Bangkok: um início cultural com a Jim Thompson House
Ao chegar a Banguecoque, os viajantes são recebidos no hotel com um transfer privado, um prelúdio confortável para a aventura que se seguirá. À tarde, o destaque é uma visita exclusiva à Jim Thompson House, a antiga casa e atual museu do americano Jim Thompson, figura central na revitalização da indústria da seda tailandesa nas décadas de 1950 e 1960.
Este complexo único reúne edifícios tradicionais tailandeses em madeira e alberga uma coleção de arte asiática, oferecendo um olhar profundo sobre as técnicas artesanais e a estética cultural do sudeste asiático.


O jantar de boas-vindas decorre no espaço da casa, num ambiente onde a ligação a Jim Thompson vai além da história: os lenços, tecidos, guardanapos, individuais e almofadas usados nos espaços de jantar e lounge remetem para a estética e cores da marca. A bordo do comboio, há também uma pequena loja Jim Thompson que oferece produtos de seda e artigos inspirados na herança da marca.

Este primeiro jantar é uma introdução ao tipo de experiências que caracterizam The Blue Jasmine: lugares autênticos, detalhes que contam histórias e sensações que decoram a memória.



Dia 2 – Partida da estação de Hua Lamphong (Banguecoque), com direção a Ayutthaya e Uthai Thani
O segundo dia começa cedo e o comboio está à nossa espera na histórica estação de comboios Hua Lamphong Railway Station, inaugurada em 1916 e ainda hoje um dos símbolos do romantismo ferroviário de Banguecoque.
Projetada com influências europeias e marcada pela monumentalidade das suas linhas e detalhes clássicos, esta estação convida à contemplação antes da partida. O embarque no The Blue Jasmine tem algo de cerimonial: desde uma passadeira vermelha, às carruagens restauradas, e a decoração e atenção a pormenores.
A primeira paragem é em Ayutthaya: capital histórica do Reino do Sião durante mais de quatro séculos, hoje classificada como Património Mundial da UNESCO devido ao seu parque arqueológico. Aqui, entre ruínas de templos, torres e Budas, sente-se a magnitude de um reino que foi, no seu tempo, um dos mais cosmopolitas da Ásia. O canal Khlong Sa Bua que circunda parte da cidade antiga é testemunha das antigas rotas aquáticas que ligavam o Sião ao resto do Mundo.
Ayutthaya, fundada em 1350, foi em tempos uma das cidades mais poderosas e cosmopolitas da Ásia. Durante mais de quatro séculos capital do Reino do Sião, transformou-se num florescente centro de comércio, diplomacia, arte e cultura. No seu apogeu, acolhia mercadores vindos do Japão, da Índia, da Pérsia, de Portugal, da Holanda e de França, criando um verdadeiro mosaico de influências que marcou profundamente a arquitectura, a gastronomia e a organização urbana.



Actualmente, o Parque Histórico de Ayutthaya preserva os vestígios desse passado grandioso. Imponentes prang – que são torres de inspiração khmer —, serenas imagens de Buda e vastas plataformas de templos erguem-se como testemunhos silenciosos da idade de ouro do reino.
Entre os elementos arquitectónicos mais marcantes destacam-se:
- Chedis construídos na clássica forma de sino da tradição siamesa
- Torres de estilo khmer que simbolizam o Monte Meru, centro do universo budista-hindu
- Esculturas em tijolo e estuque, outrora revestidas a folha de ouro
- Mosteiros que desempenhavam simultaneamente funções espirituais e políticas
Apesar de ter sido devastada durante a invasão birmanesa de 1767, Ayutthaya conserva nas suas ruínas um profundo sentido de grandeza histórica. O traçado urbano, a rede de canais e os monumentos revelam uma civilização sofisticada, capaz de integrar influências das culturas vizinhas sem perder a sua identidade singular.


A antiga capital era também reconhecida pela sua diplomacia acolhedora e pela sofisticação dos rituais da corte. As crónicas descrevem cerimónias elaboradas, procissões ao longo dos canais e artesãos exímios em lacagem, ourivesaria, cerâmica e pintura mural.
Este legado cultural torna Ayutthaya uma etapa essencial para compreender as raízes da Tailândia contemporânea. E nós, como viajantes a bordo do The Blue Jasmine, vivemos a atmosfera da cidade não apenas através das visitas aos templos, mas também em cenários tradicionais e serenos como o local onde almoçámos, onde lagos de lótus e pavilhões de madeira evocam a elegância intemporal da antiga capital.


Almoço tradicional em Ayutthaya
Em Ayutthaya, o almoço foi-nos servido no Baan Thai Ayutthaya Khlong Sra Bua, um restaurante cuja atmosfera transporta os visitantes para o coração da tradição tailandesa. Aninhado entre lagoas de lótus e campos tranquilos, este espaço combina arte tradicional, peças antigas e um ambiente sereno que intensifica a experiência gastronómica.
A cozinha tailandesa aqui é servida num estilo que privilegia ingredientes locais frescos e pratos que combinam sabores delicados com texturas marcantes. É uma verdadeira introdução à complexidade da gastronomia local, com provas do que é mais tradicional, inclusive provando os pratos locais como o lagostim do rio.


À tarde, tuk tuks e rumos rurais
Após almoço, tuk tuks levaram-nos por percursos pitorescos entre templos menos conhecidos, mercados locais e pátios históricos, antes de regressarmos ao comboio. A viagem seguiu, então, para Uthai Thani, uma província tranquila onde a vida rural se vive em ritmo próprio.
A noite é passada no Uthai Heritage Resort, uma antiga escola que se transformou num hotel boutique com um charme irresistível. Em cada canto há um elemento que nos leva aos nossos tempos de meninice e às boas memórias da escola. O jantar no hotel deu-nos a provar pratos locais que refletem o estilo simples e genuíno da culinária rural deste canto do país. Foi uma noite perfeita para repousar e absorver as experiências do dia.

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Dia 3 – Uthai Thani: religião viva, mercados locais e rituais únicos
Uthai Thani é uma das regiões mais autênticas e pouco turísticas da Tailândia. Aqui, a rotina diária está profundamente enraizada nas tradições budistas e no modo de vida rural que parece inalterado pelo tempo.
Antes do sol nascer verdadeiramente, acordamos cedo para um dos momentos mais genuínos da viagem: a doação de alimentos e bens aos monges, um gesto de generosidade praticado pelos habitantes, e que quisemos também participar de forma singela.


Este não é um ritual turístico, nem um espectáculo pensado para visitantes: é uma prática vivida pelas comunidades locais diariamente. Neste ambiente, os sorrisos são sinceros, a recepção é calorosa, e a sensação de participação é profunda, sem mais turistas à vista.
Logo de seguida encontra-se o mercado matinal, onde agricultores, artesãos e vendedores vendem os seus produtos. Os sabores, as cores, os cheiros e as conversas com os habitantes locais pintam um retrato vivo da vida quotidiana na Tailândia rural. Foi uma manhã bem passada entre os habitantes locais que estavam muito curiosos e queriam falar connosco.
Acabei por comprar cerâmicas e compramos alguns alimentos… quando chegamos ao pequeno-almoço do hotel já quase não tínhamos fome, depois de provar várias iguarias no mercado.

Wat Tha Sung — o Templo de Cristal
Outro ponto alto deste dia é a visita ao impressionante Wat Tha Sung, também conhecido como Templo de Cristal: um complexo extraordinário dividido em salões de espelhos que criam um ambiente quase transcendental, onde a luz dança entre pilares espelhados e reflexos.

Rodeado por arte tradicional e espaços contemplativos, o templo é um local de reflexão e serenidade, que contrasta com a vivacidade dos mercados locais.
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- O verdadeiro nome não é “Templo de Cristal”. O nome oficial é Wat Tha Sung ou Wat Chantharam. A designação “Templo de Cristal” surgiu devido ao interior do Viharn Kaew (Salão de Cristal), completamente decorado com pequenos mosaicos espelhados.
- O Salão de Cristal cria um efeito quase celestial. Paredes e tectos cobertos de espelhos reflectem a luz natural, criando uma atmosfera etérea que muitos visitantes descrevem como “irreal”.
- Foi desenvolvido por um monge muito venerado. O complexo foi amplamente expandido sob a direcção de Luang Phor Lersi Lingdam (Phra Rajpromyan), um monge altamente respeitado na Tailândia, falecido em 1992.
- Existe um castelo dourado dentro do recinto. O “Prasat Thong Kham” (Castelo Dourado) destaca-se pela arquitectura ornamentada e pelo interior igualmente luxuoso. Diz ter mais de mil imagens de Buda no interior, em várias vitrines.
- Tem uma das maiores estátuas de Buda em prata do país. A imagem principal no salão é particularmente venerada e rodeada por milhares de representações menores.


O monge “mumificado” de Wat Tha Sung
O corpo preservado pertence ao famoso mestre budista Luang Phor Ruesi Lingdam (também chamado Phra Rajapromyan), que foi o abade do templo e morreu em 1992. Hoje, o seu corpo está preservado e exposto num caixão de vidro dentro do templo e vestido com as túnicas de monge.
Ao contrário de uma mumificação artificial como no Egipto, o corpo foi preservado sobretudo através de técnicas monásticas e condições controladas, algo relativamente comum em alguns templos budistas.


ALMOÇO NO BARCO
Após a visita fazemos um almoço tranquilo a bordo de um barco tradicional, que percorre o Sakae Krang River, onde comunidades ribeirinhas revelam modos de vida em harmonia com a corrente do rio – sendo uma aldeia flutuante.
Depois deste dia cheio, regressamos ao comboio para uma viagem noturna rumo a Chiang Mai. À noite, tivemos um jantar requintado preparado pelo chef Patipat Lakthong, vencedor de vários prémios gastronómicos e que nos apresentou pratos criativos com base na culinária local e nacional.
Hoje dormimos no comboio. Há que dizê-lo: não é fácil para quem sono leve! O barulho da locomotiva e das carruagens a chiarem, as paragens e arranques bruscos, mas é uma noite inesquecível. E, de manhã, já estamos a tomar pequeno-almoço a bordo do comboio e chegamos ao nosso destino: Chiang Mai. Uma das minhas cidades tailandesas preferidas.




Dia 4 – Chiang Mai: capital do Reino Lanna
Fundada em 1296, pelo Rei Mengrai, Chiang Mai foi a capital do antigo Reino de Lanna e continua a ser um dos centros culturais mais ricos do norte do país. Ao chegar, após um pequeno-almoço a bordo enquanto o comboio atravessa paisagens montanhosas, fazemos early check-in no hotel: uma vantagem incluída no itinerário que permite aproveitar ao máximo a cidade, ou descansar na piscina.
Tivemos algum templo livre e o facto de estarmos dentro de muralhas, na Cidade Antiga, significa estarmos rodeados de templos fantásticos, para visitar, lojas, restaurantes, etc!
A tarde é dedicada à exploração dos principais templos históricos de Chiang Mai, onde cada estrutura arquitectónica conta uma história de devoção, arte e tradição. Os telhados sobrepostos, as esculturas em madeira e as cores vibrantes dos templos refletem séculos de herança Lanna.



Chiang Mai construiu a sua identidade em torno da herança Lanna, uma marca cultural que continua bem visível na arquitectura, na linguagem, nas festividades e nas tradições artísticas do norte da Tailândia. Esta influência manifesta-se em diversos elementos característicos. Entre os traços mais distintivos da cultura Lanna destacam-se:
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- Telhados de templos em vários níveis, com elegantes curvas ascendentes nas extremidades
- Trabalhos minuciosos em madeira esculpida, presentes em portas, portadas e pilares
- Decorações em dourado e laca, inspiradas na cosmologia budista
- Artesanato local como a prata trabalhada em relevo, os têxteis tecidos à mão e a cerâmica celadon
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A Cidade Antiga, delimitada por um fosso quadrangular e pelos vestígios das antigas muralhas de tijolo, reflecte o traçado defensivo original. No interior deste perímetro concentram-se alguns dos mais notáveis templos do norte do país, verdadeiros exemplos da mestria artesanal tailandesa.
Ao longo dos séculos, Chiang Mai afirmou-se como um importante centro monástico, atraindo monges e estudiosos de várias regiões do Sudeste Asiático. Os templos desempenhavam múltiplas funções: eram locais de culto, mas também escolas, arquivos de saber e espaços de criação artística. Festividades como o Yi Peng – conhecido pelo lançamento simbólico de lanternas – e o Songkran, o Ano Novo tailandês celebrado com água, evidenciam a profunda ligação entre espiritualidade e quotidiano.

O que torna Chiang Mai particularmente cativante é a forma como tradição e contemporaneidade convivem em equilíbrio. Artesãos que mantêm técnicas ancestrais trabalham lado a lado com criadores modernos; mercados de aldeia coexistem com cafés atuais; templos centenários erguem-se tendo como pano de fundo colinas cobertas de floresta. É esta harmonia entre passado e presente que confere à cidade um carácter singular e intemporal.
Ao jantar, fomos a um restaurante muito especial e com base na gastronomia nortenha tailandesa. Foi um desfile de sabores muito bom. Esta é, sem dúvida, uma viagem cultural mas também uma viagem gastronómica.


Dia 5 – Elefantes éticos e concerto nas montanhas
Este dia reserva experiências que combinam natureza, cultura e música. Durante a manhã, visitamos o Elephant Jungle Sanctuary, um centro dedicado ao cuidado ético de elefantes, ou seja, um espaço onde os animais não são forçados a realizar truques ou performances, mas antes observados em segurança e respeito.
Aqui, os visitantes veem os elefantes moverem-se livremente, aprendem sobre alimentação e comportamento, e ganham uma compreensão mais profunda da importância do bem-estar animal. no seu habitat natural.


À noite, num cenário imerso nas colinas do norte (junto da Floresta de Samoeng) esperava-nos um jantar-concerto exclusivo. Música clássica com um quarteto de artistas tailandeses, que nos presentearam com músicas clássicas e contemporâneas. O jantar foi apresentado pelo mesmo chef de um restaurante do centro da cidade de Chiang Mai, o Terra. Uma delícia tudo o quer provamos e que, desta vez, trazia muitos sabores europeus. Uma experiência sensorial completa.

Neste cenário de montanha verdadeiramente encantador, alcançado através de uma viagem panorâmica pelas colinas do Norte da Tailândia, este local isolado, habitualmente encerrado ao público, revela uma beleza natural intacta que cria o enquadramento perfeito para uma noite inesquecível.


Ao cair da tarde, quando a luz se desvanece (ameaça chuva, mas não passou da ameaça) sobre as montanhas, um pequeno conjunto de músicos de excelência oferece-nos uma actuação concebida em exclusivo para o The Blue Jasmine.
A música combina a elegância da tradição clássica com uma sensibilidade contemporânea, interpretada ao piano, violoncelo e violino, e enriquecida por vozes masculinas e de soprano que acrescentam profundidade e emoção. O repertório percorre, com natural fluidez, peças instrumentais intimistas e composições vocais de grande intensidade, conduzindo os convidados por uma viagem sensorial. Digamos que pode ter sido um dos pontos altos, senão o maior, desta viagem. Foi memorável e certamente inesquecível para todos nós.



Dia 6 – De Chiang Mai a Si Satchanalai: uma viagem ferroviária com vista panorâmica
O comboio parte de novo, em direção ao centro-norte da Tailândia, atravessando paisagens florestadas e o impressionante Khun Tan Tunnel, o túnel ferroviário mais longo do país. A viagem oferece vistas panorâmicas únicas e uma sensação de conexão com os campos de arroz, as planícies e montanhas.
Após a chegada à estação de Sila At, um transfer levou o grupo a Si Satchanalai (a cerca de 60km): uma antiga cidade que, juntamente com Sukhothai, constitui um dos mais impressionantes complexos arqueológicos do país.


Si Satchanalai é uma das áreas historicamente mais relevantes do centro-norte da Tailândia e integra o conjunto paisagístico classificado como Património Mundial associado a Sukhothai. Situada nas margens do rio Yom, entre colinas cobertas de floresta e planícies férteis, oferece um ambiente sereno onde, ao longo dos séculos, prosperaram cidades antigas, saberes artesanais refinados e profundas tradições espirituais.

Durante os séculos XIII e XIV, Si Satchanalai desempenhou o papel de segundo centro estratégico do Reino de Sukhothai. O seu nome pode traduzir-se como “Cidade das Pessoas Virtuosas”, evocando os ideais morais e culturais que moldaram os primórdios da civilização tailandesa.
A arquitectura local revela uma interessante fusão de influências tailandesas antigas, khmer e cingalesas. Muitos templos exibem chedis em forma de botão de lótus – marca do estilo de Sukhothai – símbolo de pureza e iluminação espiritual.
A singularidade de Si Satchanalai não reside apenas nos seus monumentos históricos, mas também na envolvente natural que os enquadra. A antiga cidade é abraçada por montanhas, bosques densos e pelo curso tranquilo do rio Yom, compondo um cenário de grande harmonia paisagística.


Em comparação com as zonas mais visitadas de Sukhothai, Si Satchanalai mantém uma atmosfera mais reservada e intimista, permitindo ao viajante mergulhar com maior profundidade na paisagem histórica e na sua dimensão contemplativa.
A primeira paragem será no antigo templo Wat Phra Sri Rattana Mahathat Chaliang, situado a curta distância a pé da residência histórica Baan Chomprang, onde jantamos e passamos a noite.
Neste cenário, será servido um jantar barbecue num amplo jardim rodeado de natureza. Sob o céu estrelado, atuações de dança e canto tradicionais tailandeses, criam uma atmosfera envolvente e memorável, encerrando um dia perfeito.

O jantar decorreu na histórica Baan Chomprang, uma residência tradicional junto ao rio Yom, onde a atmosfera ribeirinha e o ambiente relaxado preparam os viajantes para o dia seguinte.
Tivemos aqui apresentação de música e danças tradicionais, com vista para o património. E uma celebração incrível que fazem com os hóspedes: cada um tem uma vela e faz um pedido e a vela vai formar uma imagem de Buda com todas as velas a iluminarem o gigante castiçal (ou porta-velas, como preferirem). Fica com um ambiente mágico!


O conceito desta casa Baan Chomprang nasce da visão de Khun Sophon, filho da terra e herdeiro de uma linhagem intimamente ligada às artes e ofícios tradicionais da região. Depois de uma carreira sólida na hotelaria de luxo, decidiu regressar às origens com um propósito claro: criar um refúgio que espelhasse tanto a sofisticação da Arte Nova europeia como a delicadeza intemporal da estética clássica tailandesa.
O resultado é um espaço onde cada detalhe conta uma história. A teca cuidadosamente polida revela o brilho quente da madeira nobre; os elementos decorativos, esculpidos à mão por artesãos locais, demonstram uma mestria paciente; e a arquitectura preserva traços históricos únicos – uma das residências integrou, em tempos, o património associado a uma consorte real do reinado de Rama V. Este legado confere à propriedade uma identidade distinta, onde passado e presente dialogam com elegância.

Mais do que um alojamento, a casa Baan Chomprang dá-nos uma atmosfera genuinamente acolhedora. A equipa é composta, em grande parte, por pessoas da comunidade vizinha, o que reforça o carácter autêntico da experiência. À mesa, privilegiam-se produtos frescos e sazonais da região, transformados com cuidado na cozinha da casa, num registo que valoriza simplicidade, sabor e tradição.
Aqui, conforto e património cultural convivem de forma natural. Cada estadia transforma-se numa oportunidade para sentir o ritmo local, apreciar o saber-fazer ancestral e criar uma ligação verdadeira ao espírito da região.


Dia 7 – Património Mundial, cerâmica tradicional e viagem de regresso a Banguecoque
O passeio começa pela manhã por entre pedras seculares. O Si Satchanalai Historical Park, classificado como Património Mundial pela UNESCO, revela templos fascinantes como o Wat Chang Lom e o Wat Chedi Jet Thaew, com as suas chedis (estudas) que unem influências tailandesas e budistas.
O Parque Histórico de Si Satchanalai, outrora uma das mais relevantes cidades reais do Reino de Sukhothai, distingue-se pelo notável estado de conservação dos seus templos, antigas muralhas e vastos vestígios arqueológicos. Enquadrado por montanhas verdejantes e pelo curso sereno do rio Yom, este conjunto patrimonial oferece uma atmosfera tranquila que convida à contemplação e compreensão da sua importância cultural e arquitectónica.
Entre os monumentos mais emblemáticos destaca-se o Wat Chang Lom, reconhecido pelos impressionantes contrafortes em forma de elefante que parecem sustentar o chedi principal. Já o Wat Chedi Jet Thaew chama a atenção pela elegância dos seus múltiplos chedis, que reflectem diferentes influências estilísticas do Sudeste Asiático, testemunhando a riqueza cultural e as trocas artísticas da época.


Ao longo da manhã, a nossa visita prossegue com uma paragem num atelier de ourivesaria, onde é possível conhecer de perto a tradição dos delicados ornamentos em ouro associados a Sukhothai. Celebrada pela minúcia dos detalhes e pela subtileza dos padrões decorativos, esta arte continua a ser um símbolo do requinte artesanal da região.



O almoço foi servido num restaurante de carácter singular, onde os sabores da herança tailandesa são apresentados com a autenticidade dos ingredientes.

A experiência continua com um workshop prático de cerâmica. Aqui, tivemos a oportunidade de pintar e desenhar o nosso prato, entrando em contacto directo com uma técnica ancestral que tornou esta região amplamente reconhecida ao longo dos séculos. Entre os séculos XIII e XV, a área de Si Satchanalai desenvolveu-se como um dos principais centros de comércio e artesanato, beneficiando da abundância de argilas de elevada qualidade e de minerais essenciais à produção.


A proximidade ao rio Yom não só garantia o abastecimento de água indispensável ao fabrico, como funcionava também como via natural de escoamento e troca comercial.
Particularmente apreciadas eram as cerâmicas celadon, reconhecidas pelo seu esmalte verde suave, semelhante ao jade, obtido através da cozedura de argilas ricas em ferro a altas temperaturas. Estas peças eram valorizadas em todo o Sudeste Asiático e frequentemente utilizadas em contextos reais e cerimónias religiosas.
Hoje, o legado artesanal de Si Satchanalai permanece vivo. A tradição continua a inspirar novas gerações de artesãos e oferece aos viajantes uma compreensão mais profunda da criatividade, da técnica e do engenho que moldaram a identidade cultural desta região da Tailândia.



Ao final da tarde, o regressamos ao The Blue Jasmine para mais uma noite a bordo, e também para mais uma vez provar a riqueza gastronómica com um belíssimo jantar feito pelo Chef Patipat Lakthong, que teve como mentor o reconhecido Chef Alessandro Haab. A base dos ingredientes tailandeses foi transformada em pratos muito fotogénicos além de saborosos, até porque os olhos também comem.
Depois dormimos no comboio, a caminho de Banguecoque onde chegaremos antes do sol nascer. E essa é a melhor aposta para não apanhar o trânsito, nesta cidade que não dorme!




Dia 8 – Banguecoque, cruzeiro no Chao Phraya e jantar de despedida
Chegamos a Banguecoque e podemos descansar, fazer compras e massagens e mais visitas se desejarmos. Temos o dia livrem até ao pôr do sol, altura em que temos à nossa espera um passeio de barco no rio Chao Phraya, exclusivo para o The Blue Jasmine. Para onde? Para uma casa muito singular e que apareceu na série Withe Lotus.
À medida que o sol começa a descer, a cidade revela-se sob uma luz dourada, oferecendo uma perspectiva única sobre a sua herança e vitalidade contemporânea.
O destino é a exclusiva residência ribeirinha Siri Sala, um espaço que combina com mestria a arquitectura tradicional tailandesa – com casas e peças antigas recuperadas – com apontamentos de elegância contemporânea. É neste cenário que celebramos o jantar de despedida e brindar às aventuras extraordinárias vividas ao longo desta viagem pela Tailândia.




Mais do que um simples local de eventos, o Siri Sala é considerado uma das mais notáveis residências históricas privadas de Banguecoque. Situado nas margens do Chao Phraya, representa um verdadeiro tributo vivo ao artesanato tailandês e à preservação do património cultural. Para os convidados do The Blue Jasmine, oferece o enquadramento ideal para uma despedida memorável e com uma apresentação cultural ao vivo.
A residência nasceu de um meticuloso projecto de restauro conduzido por uma família profundamente empenhada na salvaguarda da arquitectura tradicional tailandesa. Em vez de erguer uma construção nova, optou-se por adquirir casas de madeira originais provenientes de diferentes regiões do país, cada uma com a sua história e identidade próprias. Estas estruturas foram cuidadosamente desmontadas, transportadas e reconstruídas neste local, com extraordinária atenção ao detalhe.
O resultado é um conjunto impressionante de pavilhões interligados em madeira, representativos do estilo clássico da Tailândia central. Elevada sobre estacas e envolvida por jardins tropicais exuberantes, a propriedade expressa a harmonia entre natureza e arquitectura que caracteriza as casas patrimoniais tailandesas. A brisa suave do rio, a iluminação delicada e a atmosfera serena criam o cenário perfeito para a última noite desta viagem — um encerramento elegante e profundamente evocador.
Instalada nas margens do rio Chao Phraya River, a elegante Siri Sala ganhou uma nova projecção internacional ao integrar os cenários da terceira temporada da série The White Lotus. A escolha não surpreende: o conjunto de pavilhões tradicionais em madeira, rodeado por jardins tropicais e banhado pela luz suave do rio, traduz na perfeição aquele luxo discreto, quase contemplativo, que a série tanto explora.
Entre arquitectura histórica cuidadosamente restaurada e uma atmosfera intimista, Siri Sala afirma-se não apenas como residência patrimonial, mas como palco cinematográfico onde a Tailândia revela o seu lado mais sofisticado e visualmente cativante.


Quem quiser pode reservar um dos quartos ou um jantar neste lugar que é tão especial.
E assim finalizamos a viagem! Alguns viajantes regressaram a casa e outros prolongaram a estadia no país com ida para as praias e ilhas tailandesas. Há sempre bons motivos para ficar na Tailândia!
Para quem procura uma forma diferente de conhecer a Tailândia, longe dos circuitos rápidos e lotados, o The Blue Jasmine é uma experiência que deixa marcas duradouras com uma narrativa viva, feita de tempo, cultura e experiências únicas.




















