A Janela de ADD FUEL ganha morada permanente no Japão
“A JANELA” do artista contemporâneo ADD FUEL, uma obra de azulejos pintados à mão que deu as boas-vindas aos visitantes à porta do Pavilhão de Portugal, na Expo 2025 Osaka, entre abril e outubro, ganhou nacionalidade japonesa e vai passar a viver no Japão.
A criação foi doada pelo artista aos Museus INAX (ou INAX Live Museum), um complexo de museus de cerâmica e azulejos localizado em Tokoname, na Prefeitura de Aichi. Composto por várias instalações, que incluem um Tile Museum (Museu do Azulejo), este museu reúne mais de 7000 azulejos decorativos do mundo inteiro, da Antiguidade à Época Contemporânea, e acolhe agora a obra de ADD FUEL (nome artístico de Diogo Machado), que passa a integrar o acervo da exposição permanente.

“A JANELA” foi o primeiro contacto de milhares de visitantes da Exposição de Osaka com o Pavilhão de Portugal. Comissionada pelo Turismo de Portugal para esta Exposição universal, a instalação cruza arte, arquitetura e arqueologia visual, assumindo-se como um portal, pelas suas dimensões (182 × 60 × 243 cm). Integralmente revestida a azulejos pintados à mão pela fábrica Viúva Lamego, este é um verdadeiro encontro, simbólico e cultural, entre nações com relações históricas seculares.
A peça foi concebida como uma “janela” simbólica que une Portugal e o Japão, entrelaçando tradição e invenção, memória e possibilidade. “Para mim, a permanência da obra no Japão permite que prolongue a sua vida para além dos limites temporais da Expo Mundial, convidando continuamente novas gerações de visitantes a um espaço de reflexão, encontro e diálogo cultural”, considera ADD FUEL.

Dada a missão dos Museus Inax e as suas características espaciais, tornaram-se um local muito apropriado e significativo para “A JANELA”, que passa a ser valorizada e a viver com a sensação familiar de estar “em casa”.
O museu proporciona-lhe um contexto onde o material, a técnica e as dimensões simbólicas podem ser profundamente sentidos. Ao escolher o INAX MUSEUMS como local permanente, o artista acredita que a instalação fica enquadrada dentro de um discurso de tradição material, inovação e diálogo intercultural. Os visitantes podem agora ver “A JANELA” em diálogo com outras obras, coleções e gestos arquitetónicos. Essa sinergia tornou o museu um candidato ideal.
Nesta obra, ADD FUEL usou numerosos elementos visuais da iconografia japonesa – escondidos, simbólicos… -, como o bambu, a tartaruga, o tanuki, que uniu a elementos portugueses. Partindo da reinterpretação de composições tradicionais japonesas como Seigaiha (ondas), Kumo (nuvens), Genjiguruma (roda imperial), Hanabishi (flores geométricas), Tatsu (dragão), Torii (portais sagrados) ou Tomoe (símbolos cósmicos), “A Janela” constrói uma paisagem visual de alta densidade simbólica. Cada motivo é mais do que forma: é vestígio de um imaginário coletivo, de cosmogonias e valores que atravessam séculos.



